Protestos contra Vale marcaram o fim de semana em Vitória

Pó preto, vítimas de Brumadinho, Rio Doce e multas por poluição não pagas foram temas lembrados nos atos

Para um grupo de mais de 350 capixabas, o último final de semana começou não com festa mas com dor e protesto. Uma vigília ecumênica em frente à entrada da Vale em Jardim Camburi, Vitória, marcou a lembrança do sétimo dia do crime de Brumadinho (MG), que pode ter tirado mais de 300 vidas humanas, além dos impactos socioambientais causados.


Foto: Leonardo Sá

A ação contou com presença de quatro ônibus trazendo os atingidos pelo crime socioambiental no Rio Doce de 2015, líderes sindicais e políticos, comunidades de base, militantes sociais e partidários e também com representação de lideranças religiosas, como o bispo Dom Joaquim Wladimir Lopes Dias, da Diocese de Colatina, Padre Kélder Brandão, em representação da Arquidiocese de Vitória, e Ismar Schiefelbein, pastor sinodal da Igreja Luterana.

Ao chegar ao local, os manifestantes se encontraram com os portões da empresa fechados, impedindo que o ato ocorresse em frente à sede. Mas do lado de fora e diante de um outdoor que dizia que a Vale estava de luto é que foram feitas as intervenções com falas de atingidos e músicas interpretadas pela cantora Raquel Passos. "A empresa diz que sente luto mas quer manter distância de suas vítimas, como os atingidos do Rio Doce que estão aqui", questionou Heider Boza, do Movimento dos Atingidos por Barragens (MAB).

Foto: Leonardo Sá

Também foi com protestos que aconteceu no domingo a abertura do Atlântica Parque na Praia de Camburi, financiado pela Vale após acordo com a Justiça e governo como compensação pela empresa haver enterrado rejeitos no local até os anos 70.

Mesmo com a empresa e a Prefeitura Municipal de Vitória (PMV) cancelando a cerimônia de inauguração que aconteceria no domingo, os manifestantes mantiveram o ato convocado pelas redes sociais e cerca de uma centena deles circulou pelo local entoando palavras de ordem, vestindo camisas prestas e levando uma bandeira preta simbolizando luto pelos mortos do crime.

Houve também quem se manifestasse individualmente, como o skatista Marden Vitor, que foi conferir a pista de skate inaugurada no parque mas quis levar junto seu protesto vestindo uma camisa pintada à mão que dizia: "Vale assassina". Ele não soube do outro ato que ocorreu no local e acredita que os skatistas poderiam ter se mobilizado coletivamente, mas como isso não aconteceu, resolveu levar seu protesto sozinho. "Justamente para ver se ajuda a conscientizar a galera que está perdida, achando que a Vale está criando um espaço preocupado com a sociedade e o bem estar da região, que é a que mais sofre com o pó preto", declarou. 

Além do pó preto e das vítimas de Brumadinho e do Rio Doce, os manifestantes também lembraram da dívida de R$ 42,5 milhões que a Vale possui por multas por poluição que não foram pagas à Prefeitura de Vitória.

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