Projeto que proíbe neonicotinóides no fumacê tramita na Ales

Derivada da nicotina, substância é a mais letal para as abelhas e já é proibida na Europa e em Vitória

Atendendo ao pleito dos criadores de abelhas sem ferrão, os meliponicultores, foi protocolado na Assembleia Legislativa do Espírito Santo (Ales) o Projeto de Lei (PL) nº 237/2019, de autoria do deputado Fabrício Gandini (PPS), que proíbe o uso de inseticidas à base de neonicotinóides, nos serviços de carro fumacê feitos nos centros urbanos de todo o estado.

A substância é derivada da nicotina, presente nas folhas do tabaco. É considerada o inseticida mais utilizado no mundo, mas também o mais letal contra as abelhas, já tendo sido proibido na União Europeia e na cidade de Vitória, cujo prefeito, Luciano Rezende (PPS), assinou em dezembro passado a Lei nº 9350/2018, que proíbe a utilização.

Na justificativa da matéria, Gandini explica que o neonicotinóide é utilizado para controlar pragas, mas, diferente de outros, é sistêmico. Colocado na semente, o neonicotinóide se espalha por toda a planta: folhas, flores, ramos, raízes, néctar e pólen e prejudica a habilidade das abelhas de sacudir as flores e provocar a polinização.

Para o parlamentar, é possível utilizar outros tipos de inseticidas no fumacê – como é conhecido o serviço das prefeituras para combater mosquitos - que utiliza a técnica de Ultra Baixo Volume (UBV), na qual o inseticida é diluído em óleo vegetal, formando uma névoa.

“É um avanço importante!”, comemora o presidente da Associação dos Meliponicultores do Espírito Santo (AME-ES), João Luiz Teixeira Santos. O meliponicultor diz que a Associação irá avaliar o PL com mais profundidade, pra conhecer os efeitos do substituto dos neonicotinóides.

“Se for óleo de ninn, estudos indicam toxidade para as larvas das abelhas. Se as larvas são alimentadas com ele, morrem antes de se formarem”, alerta.

Horário noturno

Outra questão importante envolvendo o fumacê é o horário de aplicação do serviço, lembra o meliponicultor Rogerio Caldeira, do Meliponário Emparede, no bairro Santo Antônio, em Vitória. Deve acontecer no período noturno. “As abelhas sem ferrão voam até 4,5 km, então, dependendo do local em que tiveram contato o fumacê, elas não conseguem chegar nas caixas”, explica.

O ideal, esclarece o criador, seria não ter o fumacê. “É complicado pra saúde humana, é questionável.  E é um prejuízo muito grande pra natureza”, afirma.

As abelhas sem ferrão, do gênero Melipona, são nativas da Mata Atlântica e excelentes polinizadoras. Produzem mel em menor quantidade que as europeias ou africanas, com berrão, do gênero Apis, mas com qualidade maior – são méis mais nutritivos e com mais propriedades medicinais, além de muito saborosos. Por sua elevada capacidade de polinização das espécies nativas da Mata Atlântica, são animais fundamentais para a recuperação florestal, seja no meio rural ou mesmo urbano.

Tramitação

O PL  de Gandini será analisado pelas comissões de Justiça, Meio Ambiente e Finanças.

 

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