'Produtos do agronegócio estão cheios de sangue indígena', diz Paulo Tupinikim

Denúncia será feita na Europa na Jornada Sangue Indígena. Celulose do ES é um dos alvos de boicote

A celulose produzida pela Aracruz Celulose (Fibria/Suzano) é um dos alvos do boicote que será proposto pela Jornada Sangue Indígena, que percorrerá 18 cidades de 12 países da Europa – Roma, Vaticano, Berlin, Munique, Estocolmo. Oslo, Amsterdam, Porto, Bruxelas, Genebra, Paris, Londres, Turim, Berna, Madri, Valencia, Barcelona, Bologna – entre os dias 17 de outubro e 20 de novembro. 

Organizada pela Articulação dos Povos Indígenas do Brasil (APIB), a jornada indígena na Europa integra a campanha Nenhuma Gota a Mais, iniciada no Janeiro Vermelho, no início deste ano, da qual participaram lideranças indígenas de Aracruz, no norte do Estado. 

“É de extrema importância”, exalta Paulo Tupinikim, liderança na aldeia Caieiras Velha e coordenador-geral da Articulação dos Povos e Organizações Indígenas do Nordeste, Minas Gerais e Espírito Santo (Apoinme), organização de base da Articulação dos Povos Indígenas do Brasil (APIB).

Desde que Jair Bolsonaro (PSL) assumiu o Palácio da Alvorada, os direitos dos povos indígenas têm sofridos sucessivos ataques, mas a mobilização nacional e internacional tem permitido vitórias na manutenção dos direitos constitucionais e originários das etnias. 

Nesse momento, chama atenção o projeto de lei que quer permitir a mineração em Terras Indígenas. A proposta, informa Paulo, já tem uma minuta de texto, elaborada por um grupo de trabalho interinstitucional, que quer enviar o PL ao Congresso ainda neste ano.  Além de uma proposta, já rejeitada no Congresso, mas que pode voltar para a Câmara, de arrendamento de terras indígenas.

A Jornada Indígena na Europa, enfatiza o líder indígena, vai, através do boicote aos produtos do agronegócio – que inclui também carne de boi e de frango, leite, derivados do leite e soja – alertar os países do velho continente. 

“Todo e qualquer produto produzido em terra indígena que eles compram e consomem tem sangue indígena. São terras invadidas, onde mataram lideranças, homens, mulheres e crianças para ocupar o território e produzir o agronegócio. Vamos conscientizar esses países de que são produtos cheios de sangue indígena”, anuncia o coordenador da Apoinme. 

Na esteira do sangue indígena, a jornada também irá denunciar os retrocessos nos direitos dos povos indígenas e na área ambiental promovidos pela equipe de Bolsonaro. “O discurso dele na ONU contra o Raoni, aquilo foi o fim da picada, criticar uma liderança nacional e internacional que tem uma representatividade muito grande pros povos indígenas”, comenta Paulo Tupinikim. 

No vídeo de divulgação da Jornada, duas falas de Jair Bolsonaro resumem a postura de seu governo diante dos povos originários e da Amazônia: “O interesse na Amazônia não é nos indígenas nem na ‘porra’ da árvore. É no minério”. “Nossa Amazônia é maior do que toda a Europa Ocidental e permanece praticamente intocada”. 

O vídeo também tem falas de várias lideranças indígenas, como Sonia Guajajara (Psol) – “Bolsonaro mente. O seu governo destrói o meio ambiente, explora a nossa biodiversidade”- e Dinamam Tuxá, advogado da Apoinme:  “O genocídio no Brasil está institucionalizado”. 
 

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