Presidente do DEM de Cachoeiro é o novo superintendente do Ibama-ES

Diego Libardi é advogado de Ferração e Norma Ayub. Servidores questionam critério político

O loteamento político de autarquias federais nas negociações pela reforma da Previdência de Jair Bolsonaro segue a todo vapor no Espírito Santo. Nessa segunda-feira (17) foi a vez do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e Recursos Naturais Renováveis (Ibama).

Por indicação da deputada federal Norma Auyb (DEM), Diego Libardi Leal foi nomeado o novo superintendente, por meio da Portaria nº 379, publicada no Diário Oficial dessa segunda, assinada pela ministra substitua de Meio Ambiente, Ana Maria Pellini.

Ex-secretário de meio ambiente de Marataizes, no sul do Estado, Diego Libardi Leal foi eleito no início do mês como novo presidente do Partido Democratas (DEM) em Cachoeiro de Itapemirim e advoga em causas pessoais do casal Theodorico Ferraço e Norma Ayub, que comandam o DEM no Estado.

A Associação dos Servidores Públicos Federais Integrantes da Carreira de Especialista do Meio Ambiente e do Plano Especial de Cargos do Ministério do Meio Ambiente e do Ibama – PECMA no Espírito Santo (Asibama-ES) disse considerar que, numa análise preliminar, “o nomeado não preenche os pré-requisitos para a investidura no cargo” e que o assunto será tratado na assembleia da categoria, a se realizar nesta quarta-feira (18).

O jovem advogado do casal Ferração e Norma é o oitavo superintendente do Ibama nomeado no Estado em menos de três anos.

Em protestos anteriores contra essa antiga prática na esfera federal, os servidores se posicionaram em carta aberta, explicitando a necessidade de adoção de critérios técnicos e não políticos para a escola dos cargos de gestão na área ambiental.

O último foi realizado há três meses. Em uma carta aberta enviada ao ministro Ricardo Salles e ao presidente do Ibama, Eduardo Fortunato Bin, a Asibama/ES solicitou que o próximo superintendente voltasse a ser escolhido dentro do quadro técnico da entidade.

O manifesto citou o crime da Samarco/Vale-BHP, que destruiu o Rio Doce desde Mariana/MG até a foz em Linhares, e contaminou todo o litoral capixaba, além do norte do Rio de Janeiro e sul da Bahia, incluindo o Parque Nacional Marinho de Abrolhos, e o crime da Vale em Brumadinho/MG, como exemplos de situações em que o rigor técnico precisa suplantar os interesses políticos de gestores públicos e empresários.

“O cargo de superintendente do Ibama é de extrema responsabilidade e exige tomada de decisões com embasamento técnico, para isso, a pessoa não deve ter envolvimento com nenhum segmento da sociedade que tenha interesses conflitantes com as ações estabelecidas como de competência do órgão”, sublinham os servidores.

Outro fator importante, prossegue o texto, é que “a indicação de alguém que não pertence ao quadro de servidores do Ibama para o referido cargo pode representar um aumento de 40% no valor gasto com a gratificação da função”.

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