'O mestre de Huck'

Paulo Hartung: “imperador” no Espírito Santo, ''mestre incensado'' no campo nacional

O ex-governador Paulo Hartung cravou mesmo o título de “mestre de Huck” no campo nacional. Citado pela primeira vez pelo apresentador de TV em evento político em Vila Velha, o termo se espalha pelo País afora, somado a afagos cada vez mais frequentes entre os dois. Nos últimos dias, a relação de Hartung e Luciano Huck repercutiu em reportagens na Carta Capital e Uol, como peças inseparáveis do movimento criado para as eleições de 2022. A dupla vende um projeto a longo prazo, teleguiado pelo ex-governador, que assim como fez no Espírito Santo para derrubar o adversário e atual governador Renato Casagrande, se coloca agora como “a solução em gestão para o País”, com base na “austeridade fiscal” e no discurso de “renovação”. Totalmente distante da realidade local, que colou em  Hartung a marca de “imperador” pelo modus operandi utilizado para defender seus projetos pessoais, Huck chegou a dizer, ao Uol, que “Hartung é generoso e ilumina o seu caminho”, além de destacar a amizade pessoal entre os dois, que têm como “padrinho” o economista e ex-presidente do Banco Central Armínio Fraga, conhecido articulador de Hartung fora do Estado. Já a Carta Capital o colocou no infográfico chamado “O Casting do Apresentador, quem é quem no projeto de Huck?”, na seguinte posição: “o Senhor Miyagi, incensado pela mídia liberal”. E coloca incensado nisso...

Quem avisa...
No Espírito Santo, Hartung também foi “mestre” de muitos discípulos. Mas uma leva incontável deles foi alvo de suas rasteiras políticas. Tratando-se do ex-governador, é sempre assim, depende da conveniência.

Renovação?
Do campo político, além de Hartung, também aparecem no infográfico da Carta Capital o ex-presidente FHC, o presidente da Câmara dos Deputados, Rodrigo Maia (DEM-RJ), e o presidente nacional do Cidadania, Roberto Freire. “Nova” política, como se vê...

Linha de frente
O contraponto nas duas reportagens ficou por conta de dois nomes que assumiram, nos últimos meses, as críticas ao festival nacional de marketing de Hartung: o ex-aliado e ex-prefeito de Vitória, Luiz Paulo Vellozo Lucas, hoje presidente do Instituto Jones dos Santos Neves (IJSN), e o economista Rodrigo Medeiros, do Instituto Federal do Estado (Ifes) e um dos autores do estudo usado pelo ex-governador contra Casagrande em 2014.

Outro mito
Assim como já apontou em matéria de Século Diário, Luiz Paulo destacou à Carta Capital as difíceis relações de Hartung com ex-aliados políticos. “Não se deve confiar em político que nunca perdeu uma eleição”, ironizou. Ele também repetiu que vê com ressalvas o movimento em torno de Huck. “Não estou interessado em formar outro mito”. 

Sem legado
Rodrigo Medeiros, do mesmo jeito, reforçou suas críticas: Hartung pesou a mão nos cortes de gastos e deixou de lado o aumento da receita; a austeridade foi aplicada à custa da paralisia de obras públicas e resultou na greve dos policiais e séria crise na segurança. “Se fosse algo assim tão espetacular, ele teria defendido esse legado nas eleições de 2018, mas não se candidatou nem lançou um sucessor”, completou. 

Propaganda enganosa
Desde agosto, após a matéria do The Economist que colocou Hartung no pedestal dos pedestais, ganhou força a reação em cadeia no Estado, que agora chega ao campo nacional, de lideranças políticas e economistas para mostrar a verdadeira face do ex-governador, que terminou seu terceiro mandato em baixa. Além de Rodrigo e Luiz Paulo, assumiram a missão o secretário de Governo de Casagrande, Tyago Hoffmann, e Eduarda La Rocque, economista-chefe do Banestes

Vetados
Apesar da deputada federal Soraya Manato (PSL) ter assinado a lista do grupo de Luciano Bivar (PE) para o comando do partido na Câmara dos Deputados, o que rendeu muita polêmica e tiroteio nas redes sociais, ela faz parte dos planos de Bolsonaro para sua nova legenda. Da bancada do PSL, de fora, estariam apenas o próprio Bivar, Joice Hasselmann (SP), Júnior Bozzella (SP) e Delgado Waldir (GO).

Tom oposto
O deputado estadual coronel Alexandre Quintino não parece nada interessado em corresponder à guerra declarada contra ele no PSL. Depois do bombardeio do Capitão Assumção, que o acusou de “furto” de indicações e projetos, respondeu que “rechaça toda e qualquer tentativa que possa vir a comprometer a relação ética, respeitosa, de reciprocidade e admiração” estabelecida com líder da bancada na Assembleia. 

Segue...
A polêmica, divulgada na coluna na última quarta-feira (6), se refere à indicação feita ao governo para aumento das diárias para servidores que trabalham fora dos locais de origem. Quintino contestou a acusação, dizendo que seu projeto envolve todas as categorias, já o de Assumção a área da Segurança Pública. Mas não adiantou. O racha interno persiste.

Só ele?
O senador Fabiano Contarato (Rede) aderiu à luta dos 150 mil funcionários dos Correios e anunciou que é contra a proposta de privatização do governo Bolsonaro. “As agências precisam de incentivo e apoio, não de privatização”, destacou nas redes sociais. Em setembro, os servidores do Espírito Santo deflagaram greve para cobrar valorização da categoria.

PENSAMENTO:
“Todos os segredos da política consistem em mentir a propósito”. Jeanne Pompadour

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