Novo tabuleiro

Helder, Norma e Vidigal eram contrários à reforma da Previdência. E agora?

O ex-governador Paulo Hartung era defensor ferrenho da Reforma da Previdência de Michel Temer, e o atual, Renato Casagrande, também já se manifestou favorável à proposta do presidente Jair Bolsonaro (PSL), que enviou mensagem ao Congresso Nacional no início dos trabalhos legislativos exaltando a medida, prevista para ser votada em dois meses. Mas e a nova bancada capixaba, como se posicionará? No debate anterior da reforma, apesar do coro de Hartung, os parlamentares preferiram evitar o desgaste, inevitável pela rejeição popular ao projeto na época. Um ou outro ficou do lado oposto. O mesmo não ocorreu em relação à reforma Trabalhista, em que a maioria foi a favor. Desta vez, porém, com a renovação de metade da bancada na Câmara dos Deputados e os dois novatos no Senado, o tabuleiro zera. Por enquanto, os parlamentares se esquivam de marcar posição, alegando que vão primeiro ler o texto, coisa e tal. Mas os sinais indicam aprovação da bancada capixaba ao projeto, que, embora registre alterações em comparação à proposta anterior, continua a receber pesadas críticas de entidades representativas devido à retirada de direitos. Dos deputados que antes se declaram publicamente contra, três permanecem na Casa: Helder Salomão (PT), Norma Ayub (DEM) e Sérgio Vidigal (PDT). E agora, recuos à vista?

Garantido
Desse trio do “não”, o mais garantido de manter posição é Helder Salomão. Ele inclusive tem sido o único a se manifestar em suas redes sociais contra pontos da proposta, como a criação de regras diferenciadas para o público que hoje recebe o Benefício da Prestação Continuada (BPC), concedido a idosos e pessoas com deficiência de baixa renda. “Medida absurda”, protestou.

Anotado
Vidigal, por sua vez, até novembro de 2018, defendia a garantia dos direitos dos cidadãos de forma proporcional à contribuição que já deram ao país, bem como à classe social em que se encontram. “Os mais idosos deverão ser mais preservados em relação aos mais jovens; e os mais ricos devem suportar um peso maior do que os mais humildes”. A conferir!

Lado oposto
Outro reeleito à Câmara, Evair de Melo (PP), não só defendeu a reforma, como tratou como “mentiras” os argumentos que alertam para retrocessos. Da mesma maneira, se posicionou favorável às mudanças a senadora Rose de Freitas (Podemos). Já Carlos Manato (PSL)...

Só muda o nome
...não disputou a reeleição, mas além de ser do partido de Bolsonaro, elegeu a mulher, Soraya Manato, também PSL. O ex-deputado era voto favorável à proposta anterior, depois chegou a mudar de ideia, mas desta vez não tem erro: “está com Bolsonaro e não abre”. 

Restante
Da bancada, restarão saber os votos de mais cinco deputados. Amaro Neto (PRB), Felipe Rigoni (PSB), Da Vitória (PDT), Lauriete (PR) e Ted Conti (PSB). O último assumiu a cadeira de Paulo Foletto (PSB), agora secretário de Agricultura, que também era contra a reforma da Previdência. Apostas?

Restante II 
No Senado, a bola está com os novatos Fabiano Contarato (Rede) e Marcos Do Val (PPS) – este alinhado à nova Mesa Diretora, ou seja...

Pauta que rende
Enquanto evitam revelar os votos sobre a reforma, os parlamentares fazem questão de falar sobre o pacote anticrime do ministro da Justiça, Sérgio Moro. Vidigal foi um: “numa primeira análise fica claro que o objetivo é combater a corrupção de forma mais dura”. Contarato e Do Val também postaram comentários sobre a proposta, mas, ao contrário de Vidigal, que recebeu mais apoio, os senadores foram bastante cobrados.

‘Mili’ anos
A Câmara de Vila Velha só aprovou agora as contas de 2013 do ex-prefeito Rodney Miranda (DEM)...é isso mesmo? Dá pra ser mais lento um pouco, Tribunal de Contas?

Ânimos exaltados
De Itapemirim, sul do Estado, vem a informação de que o clima esquentou na sessão dessa terça-feira (5) na Câmara. O presidente da Casa, Mariel Delfino Amaro (PCdoB), teria sofrido um motim por parte dos outros dez vereadores, que pediram seu afastamento do comando da Mesa Diretora. Teve até presença da polícia. No centro das tensões, cortes no orçamento e de cargos comissionados.

PENSAMENTO:
“A máquina política triunfa porque é uma minoria unida atuando contra uma maioria dividida”. Will Durant

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