MML divulga nota de repúdio contra casos de assédio sexual na Ufes

Movimento Mulheres em Luta reivindica “uma universidade livre de machismo”

O Movimento Mulheres em Luta (MML) divulgou, em uma nota pública, seu repúdio contra os casos de assédio moral e sexual ocorridos recentemente no campus de Goiabeiras da Universidade Federal do Espírito Santo (Ufes), denunciados por alunos da graduação e da pós-graduação.

Na nota de repúdio, o MML pede a apuração da tentativa de estrangulamento registrada no último dia 12 de março contra uma estudante de Arquitetura e Urbanismo e destaca que “todo e qualquer tipo de abuso, agravado pela manipulação através das relações de poder instituídas na academia, são absolutamente inaceitáveis”.

Na ocasião, a estudante foi atacada no Cemuni III por um também estudante universitário, do curso de Física, Deivid Pereira, e foi salva por uma servidora responsável pela limpeza do prédio, que bateu no agressor com uma vassoura até a chegada de dois homens que conseguiram parar retirar a jovem do domínio do agressor.

Deivid foi detido, acusado de tentativa de homicídio.

‘Na universidade deve prevalecer a democracia com senso de justiça, talvez de maneira ainda mais especial, pois é o espaço de construção e autorreflexão da sociedade, portanto esse tipo de abuso é inadmissível”, argumenta o MML.

O Movimento afirma que os assédios, principalmente contra as mulheres, não são episódios isolados, pelo contrário, se constituem como práticas de opressão, machismo, sexismo e misoginia, racismo que precisam ser enfrentadas de forma efetiva pela administração da universidade. E que essas práticas ferem não apenas a ética das relações educacionais, mas o próprio processo de construção científica e a responsabilidade da instituição na formação.

“Em um espaço que deveria ser de construção de conhecimentos socialmente referenciado, tem se constituído como local de medo, onde a cada dia nos perguntamos: quem será a próxima ou o próximo? Esse cenário é intensificado pela falta de seriedade, transparência e prioridade de apuração pelas instâncias da universidade”, denuncia o MML.

A nota ressalta que é preciso, urgentemente, dar voz às mulheres, cobrar das instâncias a devida apuração, responsabilizar os agressores e promover efetivo combate à violência e assédios na Ufes.

“Exigimos que o reitor Reinaldo Centoducatte realize um amplo debate com a comunidade acadêmica sobre um modelo de segurança que atenda às especificidades e demandas da universidade, sobretudo das mulheres”, reivindica o Movimento.

Reforço na segurança

Um reforço na segurança no campus foi iniciado nesta quinta-feira (14), com a Polícia Militar e a Guarda Municipal de Vitória, e funcionará nos horários de entrada e saída dos estudantes.E na sexta (15), houve um caso de ameaça de morte contra outra estudante.

 

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