'Laranjal' no PSL leva família Bolsonaro para partido liderado por capixaba

Marcus Alves, presidente da UDN, tem um histórico como articulador político no Estado desde 2014

Extinta pela ditadura militar, a União Democrática Nacional, a UDN, sigla partidária de direita fundada em 1945 que está sendo recriada pelo capixaba Marcus Alves, seria a alternativa para a saída da família Bolsonaro do PSL, centro da crise política de âmbito nacional por envolver operações supostamente irregulares com o uso de dinheiro público. 

Deixar rapidamente o PSL. Esse é o desejo da família do presidente Jair Bolsonaro, capitaneada pelos filhos, para tentar pelo menos reduzir o escândalo que envolve o partido por desvio de dinheiro do Fundo Partidário na campanha que o elegeu para candidatos inexistentes ou inexpressivos eleitoralmente, os chamados “laranjas”. 

As operações fraudulentas registradas na campanha eleitoral do presidente Jair Bolsonaro devem custar a demissão do ministro Gustavo Bebiano, secretário-geral da Presidência da República, esperada para esta segunda-feira (18). Como presidente do PSL, ele foi o responsável pela distribuição dos recursos financeiros.

Presidente da UDN, sigla a abrigar os Bolsonaro, o capixaba Marcus Alves foi demitido do cargo de subsecretário da Casa Civil do governo do Estado, em 2017, acusado de prática de “rachid” (apropriação de parte do salário de servidor público) e de ameaçar de morte um funcionário da Assembleia Legislativa. 

A recriação da nova UDN vem desde 2016, por iniciativa dele. Marcus era servidor da Casa Civil até 2017, quando veio à tona as denúncia feitas pelo ex-servidor da Assembleia Legislativa, Francisco Felix da Costa Netto. Na época, Marcus Alves afirmou que era vítima de uma “orquestração para derrubá-lo". 

Em março de 2018, sindicância realizada na Assembleia Legislativa não encontrou provas que o incriminassem. Da mesma forma, inquérito realizado na Polícia Civil foi encerrado sem “quaisquer indícios de autoria ou de materialidade delitiva”. As duas investigações foram encerradas e Marcus declarado inocente das denúncias.  

Ele se desfiliou do PRP, partido que presidia no Estado, e começou a construir nacionalmente a UDN, da qual é o presidente nacional e busca a regularização.

Marcus ficou conhecido nos meios políticos capixabas por adotar uma estratégia eleitoral que garantiu um crescimento político forte ao pequeno PRP no Estado. Angariando lideranças de peso político pequeno e pulverizando a coligação, o partido elegeu, no pleito estadual de 2014, três deputados estaduais: Dary Pagung (PRP), Almir Vieira (mandato cassado) e Hudson Leal (hoje PRB). Marcus Alves, aliás, foi adjunto do gabinete de Pagung entre 2008 e 2015. 

Fraude

As operações fraudulentas com dinheiro público conhecidas como “rachid” ou “rachadinha” envolvem a família do presidente Jair Bolsonaro e alguns de seus assessores, gerando crises desde dezembro do ano passado, com a descoberta de supostas irregularidades em transferências bancárias feitas pelo assessor do agora senador Flávio Bolsonaro, Fabrício Queiroz. 

Há indício de envolvimento do próprio senador e da família presidencial, incluindo a mulher do presidente, Michele Bolsonaro, que teve registrado em sua conta bancária um depósito de Fabrício de Queiroz de R$ 24 mil. Os dois, Queiroz e o senador, estão sob investigação do Ministério Público e da Polícia Federal do Rio de Janeiro.

Eleito sob a bandeira de uma nova política, Jair Bolsonaro vem se enfraquecendo a cada dia, não apenas pelo despreparo para o cargo e por falta de um plano de governo, mas principalmente pelas trapalhadas provocadas por seus filhos, que exercem um domínio sobre o pai que começam a incomodar parte do governo, especialmente os militares. 

Velha política

A UDN foi um partido político fundado por forças oposicionistas às políticas do presidente Getúlio Vargas, em 1945. Os fundadores, entre eles, Ademar de Barros, Carlos de Lima Cavalcanti e João Cleofas, lançaram o brigadeiro Eduardo Gomes como candidato a presidente da República e deram início a uma ampla frente anti-Vargas.

Os simpatizantes e filiados da UDN ficaram conhecidos como "udenistas". Eram os representantes das forças conservadoras, que defendiam o modernismo e o liberalismo, fazendo oposição ao populismo.

O partido foi chamado de "partido dos cartolas", pois era formado, em sua maioria, pela classe mais alta da sociedade, e atuou denunciando a corrupção administrativa. O partido foi extinto através do Ato Institucional número 2, decretado em 1965, possibilitando a intervenção em vários partidos políticos.

A nova UDN é um dos 75 partidos em fase de criação. A sigla já teria 380 mil assinaturas das 497 mil necessárias para homologação da legenda. O partido faz parte do Movimento Direita Unida.

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