Fórum de Mulheres Negras do Estado se mobiliza para Encontro Estadual e Marcha 

Militantes também solicitaram ao governo do Estado a criação de uma gerência voltada para Mulheres Negras

O Fórum de Mulheres Negras do Espírito Santo está em fase final de organização de seu encontro estadual, que será realizado no próximo dia 15 de fevereiro. A mobilização para o ano de 2019, no entanto, só está começando, pois pelo menos outros dois grandes eventos estão previstos: o Encontro Nacional de Mulheres Negras, que deve ser realizado no dia 15 de abril, e a Marcha das Mulheres Negras, marcada para 25 de junho.  

Entre os temas a serem discutidos no Encontro Estadual, cujo objetivo é elaborar estratégias que viabilizem a participação de mais mulheres no Encontro Nacional, estão: violência contra a mulher negra na periferia, falta de assistência, valorização e representatividade da mulher negra e a importância da efetivação de políticas públicas. 

Também é intenção do Encontro, que terá a presença de representes do governo do Estado, do Ministério Público, de entidades de Direitos Humanos, Assembleia Legislativa e prefeituras da Grande Vitória, divulgar a incidência do racismo, sexismo e machismo, além de trabalhar a formação dos órgãos públicos para potencializar as políticas públicas para as mulheres negras.

“Nossa mobilização do Fórum de Mulheres será para a Marcha Estadual de Mulheres Negras no dia 25 de julho. Vamos demarcar as nossas lutas neste Estado que está no topo da pirâmide da violência contra as mulheres negras”, disse uma das coordenadoras do Fórum Nacional das Mulheres Negras (FNMN) e vice presidente da  União de Negros pela Igualdade (Unegro) estadual, Heloísa Ivone da Silva de Carvalho.

Para a presidente da Associação de Moradores de Itaoca Praia de Itapemirim (AmipiI-ES), Luciana de Souza, o Encontro Estadual pretende ainda discutir temas gerais que pautam o dia a dia da mulher negra. Será importante “por ser um espaço legítimo, suprapartidário, de encontros de ideias, análises e reflexões sobre a atual condição das mulheres negras no Espírito Santo”. 

Nessa segunda-feira (4), representantes do Fórum também tiveram um encontro com a vice-governadora Jaqueline Moraes. Na ocasião, o grupo solicitou a criação de uma gerência voltada para Mulheres Negras, além de apoio à realização do Encontro. Para as militantes, a criação da gerência específica para tratar das políticas voltadas às mulheres negras se justifica diante dos altos índices de violência contra esse segmento no Estado.

Segundo dados apresentados pelos representantes do Fórum, “as mulheres negras são, entre os grupos mais vulneráveis socialmente, os principais alvos da violência e da discriminação. De acordo com as estatísticas nacionais, entre as vítimas femininas da violência doméstica, por exemplo, 70% são negras. São elas também que recebem os menores salários, ocupam apenas 3% dos cargos de gestão e estão basicamente excluídas do sistema financeiro. Estão na base da pirâmide, desvalorizadas, apesar de moverem o País com sua força de trabalho”.

Retirada de direitos  

Desde a Marcha das Mulheres Negras, em 2015, prossegue a luta contra o racismo, a retirada de direitos e as diversas formas de opressão, intensificadas após o impeachment de 2016. 

No Espírito Santo, desde o mandato de Paulo Hartung, a antiga Secretaria Estadual se transformou em um Conselho Estadual de Promoção de Igualdade Racial, ligada à Secretaria de Direitos Humanos. Outro grande problema, aprofundado nos últimos dois anos, é o alto índice de homicídios dos jovens negros, o que repercute na vida de mulheres negras, sejam as mães ou companheiras.

Também prevalece a elevada violência obstétrica, muito maior entre as mulheres negras. Estima-se que dois terços das vítimas de violência obstétrica sejam mulheres negras. 

Participaram do Fórum das Mulheres Negras do Espírito Santo, entre outras entidades, Conselho da Mulher de Colatina, Movimento Bertha Lutz, Associação Mão na Massa, Amipi- ES, Unegro, Coletivo Negros e Negras Empoderadas, Fórum Nacional de Mulheres, Coletivo Negras de Empoderamento Sul, Unegro/FNMN. 
 

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