Contarato prepara ‘Elo Indígena’ da Rede no Espírito Santo em visita a Aracruz

Estratégia é nacional e visa eleições de 2020. Defesas do território e da saúde indígenas são prioridades

De olho na defesa dos direitos dos povos indígenas, o senador Fabiano Contarato esteve em Aracruz, norte do Espírito Santo, neste sábado (17), para dialogar com lideranças Tupinikim e Guarani e criar o chamado "Elo Indígena da Rede Sustentabilidade no Estado".

O partido, que elegeu a primeira deputada federal indígena brasileira no pleito de 2018 – Joenia Wapichana, de Roraima – pretende lançar um grande número de candidatos indígenas, começando já com as eleições municipais de 2020.

Aracruz é o único município capixaba com comunidades aldeiadas e recebeu o senador durante toda a manhã. A agenda incluiu visita à Aldeia Temática, em Piraque-açu, reunião com a Associação Indígena Tupinikim e Guarani (AITG) e a Coordenação de Caciques, em Caieiras Velha, além de apresentações culturais, como os guerreiros e as guerreiras Tupinikim. A intenção foi de já realizar as primeiras filiações partidárias.

“A Rede entende que o indígena tem que ser protagonista. E pra defender suas causas, nada melhor que o próprio indígena estar nas instâncias, discutindo, debatendo e votando as matérias que lhe interessam”, explana Valdinei Tavares, presidente da ONG Amigos da Barra do Riacho, porta-voz da Rede em Aracruz e membro da executiva estadual e do Elo Nacional do partido.

“O senador já tem feito muito bem isso no Congresso [defender a pauta indígena dos ataques do Governo federal]. A Rede é o partido que mais defende os povos indígenas”, afirma Valdinei. “Estamos muito felizes porque estamos tendo boa aceitação pelas lideranças indígenas e nosso intuito maior é somar forças com eles em defesa da tradição, da cultura, pelo direito ao território, na luta pela demarcação e na defesa dos direitos. Nenhum direito a menos”, declara o porta-voz.

De fato, Contarato foi o senador mais votado nas aldeias de Santa Cruz, informa Vilson Benedito de Oliveira, Jaguareté, liderança Tupinikim. “A gente espera estreitar a relação com ele através da pauta indígena e nos organizar politicamente”, diz, enfatizando a defesa do território e da saúde indígenas como pautas prioritárias.

O governo federal quer extinguir a Secretaria de Saúde Indígena (Sesai) ou municipalizá-la, o que dá praticamente no mesmo. Já o território indígena capixaba está nesse momento ameaçado por uma ação de parentes de um fazendeiro, que judicializaram a demanda de 54 hectares dentro da Terra Indígena de 14 mil hectares, homologada em 2010.

Um juiz federal de Linhares concedeu liminar favorável aos fazendeiros e a Defensoria Pública da União (DPU) recorreu. Uma derrota indígena nessa ação pode abrir precedentes, alerta Jaguareté.

“A gente espera que o senador faça compromisso com nós, comunidade indigna brasileira, e coloque pessoas das comunidades indígenas pra ser vereador, deputado. Esse presidente não fala correto, fala agora uma coisa e depois fala outra. Parece maluco”, opina Peru, liderança Guarani em Piraquê-açu.

Plebiscito

Os Tupinikim de Santa Cruz já lançaram pelo menos oito candidatos a vereador, sendo que um deles, Ervaldo Santana, o Ervaldo Índio, assumiu a cadeira na Câmara de Aracruz pelo PMN em 2015, por dois anos, após saída de Erick Musso, eleito deputado estadual pelo PP e hoje no PRB.

No próximo mês de setembro, Caieiras Velha, a maior aldeia Tupinikim de Santa Cruz, vai realizar um plebiscito pra escolher seu candidato a vereador. Concorrem cinco lideranças, de diversos partidos.

 

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