Com websérie, sindicato lembra luta dos petroleiros no Espírito Santo

O Sindipetro-ES comemora 30 anos em 2019 em meio às ameaças de precarização e privatização no setor

Em 2019, o Sindicato dos Petroleiros do Espírito Santo (Sindipetro-ES) completa 30 anos de fundação. Para relembrar a trajetória de lutas realizada até hoje pelos trabalhadores da classe nessas três décadas, o sindicato lançou uma websérie com um resgate histórico da categoria no estado.

São quatro capítulos contando diferentes momentos vividos pelos trabalhadores ao longo desses 30 anos, publicados aos poucos na internet, devendo depois ser transformado num minidocumentário com a junção de todos capítulos.

No primeiro capítulo, os fundadores relatam as dificuldades para dar início ao sindicato. As primeiras reuniões dos petroleiros foram secretas, escondidas dos patrões, para fundar inicialmente uma associação que depois seria transformada em sindicato. Segundo relatam os participantes da época, a empresa chegou a descobrir e intervir, transferindo pessoas para outros estados para tentar desmobilizar a organização da categoria.

Mesmo assim, foi criado então o Sindicato dos Trabalhadores da Indústria de Extração de Petróleo do Espírito Santo (Stiep-ES), que posteriormente se tornou o Sindipetro. As primeiras conquistas ajudaram a garantir direitos e benefícios para os trabalhadores do setor numa época difícil, em que imperava o arrocho salarial e altos índices de desemprego, o que era impensável antes da existência do sindicato.

Dos anos 90 ficou a marca de grande resistência diante do período com numerosas privatizações de empresas estatais. Os petroleiros lutaram com força e realizaram duas grandes greves, em 1991 e 1995, contadas pelos entrevistados da websérie no segundo capítulo.

Outra greve aconteceu em 2015, diante de um contexto de luta contra a privatização, a terceirização dos serviços, a perda da soberania do Brasil sobre o petróleo e a necessidade de melhoria das condições de trabalho e das carreiras. O acidentes na Plataforma Cidade de São Mateus, que deixou nove mortos e dezenas de feridos, também serviu de ponto de inflexão e denúncia sobre os altos riscos que os profissionais do setor correm, necessitando especial atenção.

Trazendo para os dias de hoje, a websérie também fala dos desafios da classe petroleira na atualidade, alertando sobre os direitos que correm o risco de serem extintos, ressaltando o papel protagonista do sindicato na conscientização e formação política dos trabalhadores num momento em que o governo federal busca de forma autoritária liquidar e privatizar a Petrobras, deixando a produção petroleira nas mãos de empresas transnacionais e abrindo mão da soberania nacional sobre este bem estratégico para o desenvolvimento do país. A privatização, entende o Sindipetro-ES, contribui tanto para a instabilidade econômica do país como para a falta de segurança do trabalhador.

Para acompanhar os próximos capítulos da websérie, siga a página do Sindipetro-ES no Facebook. 

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