Cadeiras vazias

Fora o trio de combate da Ales, outros quatro deputados não prestigiaram reunião-almoço de Casagrande

Em reuniões como a convocada pelo governador Renato Casagrande no Palácio Anchieta nesta quarta-feira (13), para pedir aos deputados estaduais apoio na aprovação da reforma da previdência estadual, sempre chama atenção do mercado, por revelar os sintomas políticos do momento, quem não se sentou à mesa. Neste caso, sete dos 30 deputados estaduais. Três por razões óbvias, já que assumiram o papel de oposição ferrenha ao governo na Assembleia Legislativa: Capitão Assumção (PSL), delegado Lorenzo Pazolini (sem partido) e Vandinho Leite (PSDB). Outro é o Theodorico Ferraço (DEM), que embora não faça a mesma linha e até pouco tempo estava inclusive sumido do plenário, se mantém afastado de Casagrande desde o início do ano, depois de ter sido ignorado nas articulações para eleição da Mesa Diretora (ele foi o primeiro a subir no palanque do socialista em 2018). Os demais são Hudson Leal (Republicanos) e Carlos Von (Avante), que junto com o trio de combate citado acima, integram o bloco de oposição - que eles chamam de “independente” - na Casa. E, por fim, o pastor Marcos Mansur (PSDB), coincidentemente, o deputado que tem feito sucessivas críticas à gestão estadual por dificuldade de acesso ao secretariado do governo e por ser excluído de eventos oficiais. As ausências foram por falta de convite ou de vontade, mesmo?

Problema eterno
Toda vez que chove forte no Estado, como registrado nesses dias, o prefeito de Vila Velha, Max Filho (PSDB), vira assunto na Assembleia. Sai gestão, entra gestão, o município sempre fica em situação trágica.

Prefeito-deputado
O “aguaceiro” desta quarta foi motivo de vários discursos em plenário, puxado por José Esmeraldo (MDB), que não é candidato a prefeito em Vila Velha em 2020, mas, nem por isso, deixou de cutucar: “Será que vamos ter que colocar um deputado da Assembleia lá”? O legislativo estadual tem quatro pré-candidatos: Hudson Leal (Republicanos), Dr. Hércules (MDB), Rafael Favatto (Patri) e Danilo Bahiense (PSL), que vão esbarrar em Max.

2020
Na sequência, dois dos deputados-candidatos, Hudson e Bahiense, também se manifestaram. O primeiro disse que “Vila Velha precisa de um gestor e que tenha humildade para conhecer a estação de bombeamento de Vitória”. O outro mostrou imagens do caos e afirmou que tem recebido várias denúncias de moradores: “sequer as bombas são ligadas em dias de chuva”, afirmou. Aí apareceu Dr. Hércules...

2020 II
...começou assim: “é muito discurso, muita falácia, e pouca providência”. E emendou, “é preciso que os deputados mandem dinheiro para Vila Velha, como eu mando. Nenhum deputado de Vila Velha mandou, como eu, mais de 80% de verba pessoal. É preciso respeito e não viver dando rasteira”.

Promete!
A Câmara de Guarapari debate, na sessão desta quinta-feira (14), o pedido de empréstimo feito pela gestão do prefeito Edson Magalhães (PSDB) de nada menos do que R$ 45 milhões com a Caixa Econômica Federal. A alegação é que o dinheiro será destinado para realizar obras de infraestrutura. A pressa de colocar em votação, segundo o presidente da Casa, Enis Gordin (PRB), é porque o pedido “causou muita polêmica”.

Promete II!
A intenção de Magalhães repercutiu no plenário da Assembleia nesta quarta, em discurso do deputado Carlos Von (Avante), que tem reduto no município e será candidato a prefeito no ano que vem. Ele criticou o uso da verba em ano eleitoral e sem especificação clara.

Promete III!
Outro debate quente, no mesmo dia, será a decisão sobre a cassação do vereador Dito Xaréu (SDD). A comissão processante que investigou o caso emitiu relatório contrário ao vereador, que será julgado em plenário. São necessários 12 votos – de 17 - a favor para cassá-lo. O vereador teve áudios que seriam de sua autoria vazados, indicando propina e articulações para atender a interesses de empresários.

Enterrou de vez
Do coordenador da Juntos-SOS Espírito Santo Ambiental, Eraylton Moreschi: o presidente da desconfigurada Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) das Licenças, deputado Marcelo Santos (PDT), “vive intensas novas semanas de amor com as poluidoras Vale e ArcelorMittal. Não lhe sobra tempo para deliberar nada, tudo parado”.

Juntos e misturados
Sergio Fantini, ex-diretor-presidente do Instituto Estadual de Meio Ambiente e Recursos Hídricos (Iema) da gestão passada de Hartung, virou representante da Federação das Indústrias (Findes) no Conselho Estadual de Recursos Hídricos. Para quem não se lembra, ele foi o responsável por conceder, em menos de 24 horas, a licença de operação da Vale que contrariou parecer técnico e ignorou condicionantes jamais cumpridas. Poluidoras-governo-Findes, um “laço” que nunca se quebra no Estado.

PENSAMENTO:
“O segredo de aborrecer é dizer tudo”. Voltaire

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