Para onde?

A cautela em meio às incerteza sobre os rumos da política e da economia alcançam lideranças como Casagrande e Flávio Dino (MA)

Enquanto por aqui, no Espírito Santo, o governo dá claros sinais de maior abertura do diálogo com a população, em respeito a entidades representativas de classe e a movimentos sociais, no cenário federal a situação vai se fechando a cada dia em meio a repetidas trapalhadas do capitão eleito presidente da República. 

Esse quadro que se forma em círculo cada vez mais fechado gera reações nos estados que passam por cautela, apreensão e incertezas sobre os rumos que o País tomará daqui pra frente, reunindo nesse contexto lideranças com posicionamentos políticos e ideológicos totalmente diferentes. Exemplos são dados pelo governador capixaba, Renato Casagrande, de centro, e o do Maranhão, o comunista Flávio Dino.  

Casagrande evita críticas mais diretas ao governo federal, mas não esconde seus receios sobre os caminhos colocados para a política e a economia nacionais, enfatizando que é preciso agir como se estivesse pisando em ovos, para usar um ditado popular. Já o governador maranhense afirma que as diferenças de ideias são legítimas, mas é preciso olhar para o futuro do Brasil.

As duas lideranças políticas assumem, com esses posicionamentos, um contexto já inserido em grande parte da sociedade brasileira, marcado pela desconfiança que vai se fortalecendo a cada desatino do presidente Jair Bolsonaro e de membros de sua equipe. Apesar desse sentimento e com uma alternativa ética e transparente que ainda está muito distante, busca-se acomodar as coisas da melhor maneira possível, a fim de evitar o agravamento da situação.       

Nesse cenário sombrio, o aparecimento do vice-presidente, general Hamilton Mourão (PRTB), travestido de bom-mocinho, como figura de destaque, contribui ainda mais para o clima de incertezas. Sua postura, agora, é totalmente oposta a recentes manifestações de fúria antidemocrática, que em 2018 assustaram a nação, temerosa de um golpe militar defendido por ele. Mourão joga e conta com a crescente militarização do governo do capitão, cada vez mais acuado.   

Renato Casagrande, como Flávio Dino, tenta uma aproximação com o governo federal, por meio de ministros e com a ajuda da bancada federal, mas sempre surge um complicador: a falta de definições de prioridades, fruto da ausência de um projeto de governo e da ineficiência de ocupantes de postos-chave da gestão pública e do próprio presidente, exemplo maior de despreparo. 

Desse modo, as coisas vão acontecendo na esfera federal no ritmo corriqueiro da máquina administrativa, sem qualquer inovação que não sejam tuítes presidenciais gerando crises, declarações estapafúrdias de ministros, supostos casos de corrupção, omissão do ex-salvador da pátria Sérgio Moro e ligações com milicianos do Rio de Janeiro. Além disso, há que destacar a influência no governo do astrólogo e autoproclamado filósofo Olavo de Carvalho. 

Nesta terça-feira (12) surge mais um complicador: reportagem do jornal O Globo mostra foto do presidente Bolsonaro abraçado ao policial militar Ronnie Lessa, seu vizinho em condomínio de luxo na Barra da Tijuca, no Rio de Janeiro, preso acusado de envolvimento no assassinato da vereadora Marielle Franco. Embora não exista ligação entre o presidente da República e esse caso, é mais um fato negativo para o governo.  

Ao lançar o plano estratégico para os próximos quatro anos, o governador Renato Casagrande destacou várias vezes as incertezas que cercam o Brasil e que impedem que os governos estaduais assumam compromissos de médios e longos prazos. Os caminhos são turvos e o poço sem fundo está bem próximo. 

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