Mulheres corajosas

Amyra, Denise, Laura e Maria Lúcia desafiam o poder totalitário do Mercado

Cada uma por si, as economistas Amyra El Khalili, Denise Gentil, Laura Carvalho e Maria Lucia Fattorelli colocaram-se na frente do pelotão de oposição ao exército de empresários, executivos, jornalistas e ocupantes de cargos públicos que defendem a política do laissez-faire na gestão da economia brasileira. Corajosas mulheres no momento em que se fazem sentir agudamente as consequências de medidas como a reforma trabalhista, a liberação de drogas agrícolas e outras maldades contra a maioria da população.

Amyra El Khalili é militante do movimento ambientalista e luta pela restauração da biodiversidade, além de combater o que denomina financeirização da Natureza. Denise Gentil é professora da Universidade Federal do Rio de Janeiro e contesta que haja um déficit na Previdência Social – pelo contrário, acusa a existência de uma fraude contábil na forma como as contas são apresentadas. Laura Carvalho leciona na Universidade de São Paulo e critica o enfoque neoliberal da política econômica. Ex-auditora da Receita Federal, Maria Lucia Fattorelli é a voz mais poderosa em defesa da auditoria da dívida pública. 

Não parece, mas a luta de cada uma dessas mulheres pode ser unificada num movimento que tenha como foco principal o equilíbrio na exploração dos recursos naturais, entre eles os recursos humanos, e na correção dos desajustes econômicos e sociais que oneram a vida dos mais pobres. Não é por simples coincidência que surjam no cenário, simultaneamente, quatro mulheres engajadas num esforço contra a corrente predatória que insiste em achincalhar o direito da maioria das pessoas.

A reviviscência do capitalismo selvagem é uma afronta à modernidade num planeta que não aprendeu a distribuir equanimemente os frutos do progresso. Entre dez e 30% da população global passam necessidades – fome, miséria, falta de emprego, de saúde, de educação e de habitação. No Brasil, 26 milhões de desalentados na busca de emprego configuram um grito de protesto contra uma política governamental que aposta na precarização das condições de trabalho.

A reforma da Previdência, colocada na ordem do dia a despeito das conclusões da CPI que desmentiu a existência de um alegado déficit, é uma falácia inventada para favorecer os grupos financeiros que pretendem tomar conta dos fundos previdenciários, privatizando poupanças que sempre estiveram sob gestão pública.

A financeirização é uma tragédia que se reflete na manutenção da dívida pública em alto grau, sem que surja uma única autoridade disposta a afrontar o poder dos bancos, que funcionam como trincheiras de especuladores, investidores e rentistas em geral – a nata do capitalismo sedentário, que vive dos rendimentos de dinheiro emprestado aos governos. Com um simples confisco de 10% dos juros que paga aos rentistas, o governo em dois anos zeraria o déficit do orçamento. Mas cadê coragem para fazer coisa tão elementar?

LEMBRETE DE OCASIÃO

 “A reforma da Previdência é um tiro no pé; mais de 70% dos municípios brasileiros têm a sua economia movimentada pelos recursos da Seguridade Social”

Maria Lúcia Fattorelli, líder da Auditoria Cidadã da Dívida Pública

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