Barreiras de Casagrande

O corporativismo demonstrado por deputados da área de segurança pública poderá criar empecilhos para o governo

Não é dos mais tranquilos o cenário que se ergue na Assembleia Legislativa em relação ao governador Renato Casagrande, passada essa primeira semana de sessões que marcaram o início da nova legislatura. Apesar do apoio de 17 partidos que o elegeram e da influência do governo para garantir a reeleição do presidente Erick Musso (PRB), há sinais de pesados empecilhos pela frente. 

O principal deles, como indica o comportamento dos parlamentares da área de segurança pública, é o corporativismo que a "bancada da polícia" já deixou claro com a atuação da maioria de seus integrantes. O aceno de Casagrande com o projeto de anistia aos envolvidos na greve da Polícia Militar, em 2017, não foi suficiente para acalmar os ânimos.

Embora exista um sentimento de gratidão, de outro lado há um desgaste provocado pela falta de diálogo durante todo o governo Paulo Hartung, que criou núcleos de desconfiança que se fortaleceram com a decisão do atual governo de sequer deixar brechas para uma revisão salarial da categoria. Justamente esse, o ponto nevrálgico da questão. 

Desde a sessão inaugural da nova legislatura, no dia 2 passado, os parlamentares da área de segurança pública firmaram posição, colocando a questão salarial como prioritária na atuação legislativa. Primeiro foi o Capitão Assumção, líder do PSL, que mandou um recado à tropa confirmando discurso da campanha eleitoral, cuja característica principal é o corporativismo.  

Ele foi acusado de ser um dos líderes do movimento grevista de 2017 e sua participação, que provocou até sua prisão, serviu de sustentação para a vitória nas urnas em 7 de outubro. Da mesma forma, os delegados Danilo Bahiense, do mesmo partido, e Lorenzo Pazolini (PRP), engrossaram o coro na sessão dessa quarta-feira (6). 

Bahiense criticou a redução do número de peritos criminais, que de 316 caiu para apenas 80, criando uma série de problemas para o andamento dos inquéritos. Já Pasolini cercou o governo, apresentando projeto proibindo a inamobilidade de delegados, a fim de diminuir a influência da classe política em investigações policiais.

Esses sinais, endossados por outros parlamentares ligados à área de segurança, que formam um bloco de sete deputados, se chocam com metas anunciadas no início do governo para este ano, principalmente quando relacionadas ao corte de despesas. 

Embora ainda não possa ser considerado um bloco de oposição, esses deputados representam barreiras, a partir de reivindicações que se contrapõem ao planejamento da atual gestão, conforme foi anunciado.

Um grupo que se encaixa, caso seja necessário para defender suas propostas, na forma de atuação dos deputados Sergio Majeski (PSB) e Theodorico Ferraço (DEM), os dois declaradamente independentes. Para completar, o deputado Vandinho Leite (Rede), que afirmou sua pretensão de ser parceiro do governo, sem, no entanto, ser subserviente. 

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