Anormalidades aceitáveis

Os esforços para garantir recursos para campanhas eleitorais colocam em evidência distorções da velha política

Apesar das incertezas sobre os caminhos abertos pelo desastroso governo Jair Bolsonaro e a aparição de materiais putrefatos em meio ao mau cheiro dos esgotos midiáticos/jurídicos revelados pela Vaza-Jato, a vida segue e, se tudo continuar no nível de anormalidades aceitável, mesmo que a contragosto para parte da população, teremos eleições municipais daqui a um ano e aos governos estaduais em 2022. 

Pelo menos é isso o que espera a classe política, já em campanha, com várias lideranças realizando ações de forma bem aberta, como pode ser visto sem qualquer esforço em plataformas de mídia da máquina pública a exaltar os feitos do gestor da vez, uma prática solenemente ignorada por quem de direito.   

As eleições que se aproximam representam motivo mais do que suficiente para manter a perniciosa prática de “farinha pouca, meu pirão primeiro”, bem ao gosto da velha política, que leva os parlamentares de todos os níveis e matizes a não medirem esforços para garantir recursos financeiros indispensáveis à tranquilidade para bancar ou pelos menos dar um bom empurrãozinho nas campanhas eleitorais. 

Por aqui, os deputados estaduais pressionam o governo com o objetivo de ter mais R$ 500 mil em emendas parlamentares no orçamento de 2020, ampliando o montante para R$ 1,5 milhão para cada um dos 30  parlamentares da atual legislatura.  

Um dinheiro precioso para dourar a pílula dos habitantes das comunidades beneficiadas com obras públicas obrigatórias como se fosse um favor político, com direito a palanque, holofote e tudo mais, para não fugir à regra, pago com dinheiro público. O governo reluta, diz que não dá, mas reserva espaço de negociação para esta segunda-feira (7), quando o orçamento para 2020 começará a tramitar na Assembleia, para ser votado até 5 de dezembro. 

Em Brasília, é com o Fundo Partidário que se busca recursos financeiros, tarefa que ocupa o tempo da classe política e serve como elemento de pressão junto ao governo federal, com pressa para garantir a aprovação da cruel reforma da Previdência e de outros projetos, todos desfavoráveis à grande maioria da população. No entanto, isso é o de menos, o que interessa é quanto cada partido vai levar. 

O projeto de Lei Orçamentária Anual para 2020 enviado pelo governo Bolsonaro destina R$ 2,54 bilhões para as eleições municipais, um aumento de 48% em comparação ao pleito de 2018 (R$ 1,72 bilhão).

Os parlamentares visam retirar o limite atual de 30% do projeto original e, desse modo, aumentar a despesa pública, parecendo desconhecer a situação crítica das finanças.

São as anormalidades aceitáveis, entre tantas outras, legitimadas por meio de leis, as mesmas que admitem altos salários, verbas de gabinete, ajudas de custo, carros oficiais de luxo, entre outras regalias inalcançáveis pelos pobres mortais que formam a maioria da sociedade. 

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