O Absoluto Livro da Vida

Quem disse ''Enforcamos os pequenos larápios e elegemos os grandes ladrões para os cargos públicos” não foi o Nicolás Maduro, mas Esopo

As coisas andam cada vez mais difíceis, e os saudosistas que ainda conseguem olhar para trás suspiram, Antigamente não tinha nada disto… Não mesmo? Um pouco de história e a gente dá graças a Deus por não ter nascido naqueles tempos sem aspirina e penicilina, sem água quente no chuveiro e descarga no vaso. Vamos pela vida vendo mortos-vivos nos seriados da TV, desviando de barata morta na calçada, enfrentando poluição sonora e ambiental, erros médicos e infecção hospitalar, crises políticas e desastres econômicos, bala perdida e corruptos escorregadios. 

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Será que antigamente a vida era melhor? Como lá não estávamos, seria inútil ponderar se evoluímos ou regredimos, mas sempre se tem algumas pistas para tirar nossas próprias conclusões ou decepções. O ar contaminado por impurezas químicas é melhor ou pior que os tempos das carruagens puxadas a cavalo, uma vez que os cavalos não usavam fraldas? Essas ruas, sim, seriam um atoleiro pior que nosso mar de lama.

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Testemunhos registrados no Absoluto Livro da Vida, popularmente chamado Google: “Os tempos estão difíceis. As crianças não obedecem mais aos pais e todo mundo está escrevendo um livro”. Quem o disse não foi o Mourão, mas Cícero, famoso orador romano que viveu entre 106 e 43 AC,  e foi herói obrigatório nos livros escolares de antanho, para desespero dos jovens sonhando com Flash Gordon. “Quo usque tandem abutere, Catilina, patientia nostra?” onde o orador condenou o corrupto senador Catilina: “Em que país do mundo estamos nós, afinal? Que governo é o nosso?” perguntava Cícero. Mais moderno impossível.

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O Led Zeppelin cantou: “Good times, bad times/Você sabe que eu tive minha dose de cada”. Mas quem não teve ou tem? “Os maus momentos têm um valor científico. Essas são as ocasiões que um bom aprendiz não deve perder” disse Ralph Waldo Emerson. O valor científico, nesse caso, é saber tirar algum proveito das dificuldades. Ou o popular Há topadas que ajudam a caminhar.  

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Quem disse “Esperamos a notícia de algum desastre em cada jornal que lemos” não foi o Bolsonaro, mas Abraham Lincoln, que não leu no jornal a notícia de seu assassinato. Não tivesse ele morrido naquele teatro, a história dos negros na América teria sido outra. Igualzinho aos jornais de hoje, não? Como não poderia deixar de ser, para melhor definir os tempos difíceis temos que apelar para os políticos. Quem disse “Só porque você não se interessa por política, não significa que os políticos não se interessam por você” não foi a Hillary Clinton, mas Péricles, que viveu até 492 AC.

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Quem falou “Enforcamos os pequenos ladrões e elegemos os grandes para os cargos públicos” não foi o Nicolás Maduro, mas Esopo, o das fábulas, falecido em 564 AC. Quem disse “Embaixo de cada pedra se esconde um político”  não foi Kim Jong-Un mas Aristófanes, falecido em 386 AC. Quem disse “Uma das consequências por não participar da política é que você vai acabar sendo governado por seus inferiores” não foi o Makron, mas Platão, que nasceu em 329 AC. Quem disse “A política hoje em dia é tão vergonhosa que as pessoas de bem não se candidatam” não foi Madre Tereza, mas o Trump. 

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