‘UFC da Previdência’

Enivaldo X Pazolini; Assumção X Davi Diniz. Líder do governo teve trabalho, mas pacote passou na tratorada

Líder do Governo Enivaldo dos Anjos (PSD) versus delegado Lorenzo Pazolini (sem partido); e Capitão Assumção (PSL) versus secretário da Casa Civil, Davi Diniz, com tentativa de interferência de Enivaldo. Em meio aos debates da votação em primeiro turno da Proposta de Emenda à Constituição (PEC) da Previdência, nesta segunda-feira (25), esses foram, sem dúvidas, os mais exaltados do dia, com direito a microfone cortado e troca de gentilezas – para não dizer o contrário. A primeira “leva” começou com discurso de Lorenzo criticando o governo pela falta de diálogo e ausência na reunião realizada por ele com os servidores horas antes da primeira sessão na Casa. Enivaldo o chamou de mentiroso pra baixo: “criancinha mimada, sabichão, peitudo, metido”....acabou sendo vaiado pelos servidores que lotavam as galerias, mas continuou: “Aqui não é delegacia, onde você se escondia atrás de um monte de policial e praticava arbitrariedades e absurdos, e ainda expunha vítimas pobres da sociedade na TV para alcançar espaço na mídia. Gosta de aparecer”, rebateu. Lorenzo reclamou de palavras de baixo calão, defendeu o debate democrático e ficou por aí. Tempos depois veio Assumção e fez duras críticas a Renato Casagrande, à proposta da Previdência estadual e à recomposição salarial de apenas 3,29% anunciada pelo governador. De um minuto pro outro, voltou-se para o secretário Davi Diniz, a quem chamou de 31º deputado, e passou a esbravejar para que ele saísse do plenário, pois articulava e ameaçava os parlamentares. Enivaldo entrou no assunto de novo para defender Diniz, os dois trocaram farpas, e o presidente da Casa, Erick Musso (Republicanos), precisou intervir e acalmar os ânimos. Assumção atendeu, Diniz permaneceu onde estava, mas longe de alívio para Casagrande: “PEC maldita. Covardia. Este é o Natal que o governador está dando para servidores, a categoria mais sofrida do Estado”, cravou. Horas depois, de nada adiantaram os apelos e protestos. O líder do governo teve trabalho, mas pacote foi liquidado no vapt-vupt, sem acatar qualquer emenda. No balanço final, estratégia comandada por Erick Musso saiu bem melhor que a encomenda.  

Pressa absurda
Do início da tramitação das propostas da Previdência na Assembleia até sua total aprovação, passaram-se seis dias. Isso mesmo, apenas seis dias! A Previdência do presidente Jair Bolsonaro, como bem lembrado por Sergio Majeski (PSB), levou onze meses para passar no Congresso Nacional.

Passou o trator
Não houve sequer interesse do governo em negociar emendas, para atender minimamente o pleito das diferentes categorias do funcionalismo. Todas apresentadas na maratona de sessões do dia foram rejeitadas. Nem mesmo o aumento da alíquota de contribuição de 11% para 14% de maneira escalonada, até 2022, como sugeriu Lorenzo Pazolini. Imagina, então, tornar justa a cobrança de acordo com os salários. O topo da pirâmide pagar o mesmo que dos que estão lá embaixo, é de doer.

Tensões agravadas
Para entornar ainda mais o caldo entre servidores e Casagrande, Pazolini avisou, na sessão desta noite, que a proposta de recomposição salarial de 3,29% anunciada pelo governador no dia 1° deste mês sequer chegou à Assembleia. O início do pagamento foi previsto para dezembro. E aí, Casão?!

Até Hartung...
Também nessa sessão, Majeski questionou uma regra do regimento que estabelece um tempo de 48 horas entre uma tramitação e outra. Foi cortado por Erick Musso, que desta vez pelo menos ofereceu uma explicação, mas não ficou convencido e comparou: “PH pelo menos obedecia a essa regra”.

Contradições
Voltando em Assumção...depois do seu discurso exaltado, Euclério Sampaio (sem partido) tocou no ponto do “jogo de paradoxos” tratado na última coluna. Falou que não viu nenhum parlamentar do partido questionar a proposta de Bolsonaro e que Assumção “quer aparecer para os servidores”. 

Contradições II
Já Vandinho Leite (PSDB) destacou a outra parte da história, o PSB, que fechou questão contra a reforma nacional, mas, por aqui, não só o governador atuou na contramão, como os deputados estaduais Freitas e Dary Pagung. De fora mesmo, apenas Majeski, que fez vários discursos contra a pressa e atropelo das matérias.

Contradições III
Em um deles, Majeski lembrou, ainda, que o PSB foi incisivo em relação aos dissidentes no Congresso Nacional, punindo os parlamentares do Estado Ted Conti e Felipe Rigoni, que, na época, receberam sua solidariedade. Casagrande e outros dois governadores que defenderam publicamente a reforma, no entanto, passaram ilesos. O mesmo ocorre em relação à proposta estadual. 

Explicou logo
Erick Musso apareceu na sessão nesta segunda com uma gravata vermelha e preta. Flamenguista muito feliz com dois títulos em 24 horas? Nada disso! Erick é botafoguense, mas perdeu uma aposta.

PENSAMENTO:
“A política é a condução dos negócios públicos para proveito dos particulares”. Ambrose Bierce 

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