Reserva Particular faz campanha para construir viveiro de soltura de animais

Viveiro será a base do programa de educação ambiental para reduzir captura e tráfico de animais silvestres

Um sonho que virou realidade e que cresce, agregando mais pessoas que se dedicam a construir um mundo melhor para todas as espécies que vivem nesse planeta. Essa é uma forma de sintetizar a história da Reserva Particular do Patrimônio Natural (RPPN) Reluz, que, criada há doze anos, se lança agora para uma nova campanha, de apoio ao Projeto Revoar, voltado à construção de um viveiro de aclimatação para soltura de animais silvestres vítimas da irracionalidade humana. 

O Espírito Santo tem apenas seis dessas estruturas, fundamentais para que esses pequenos seres, muitos ameaçados de extinção, possam de fato se reintroduzirem na natureza, seu hábitat original. 

O viveiro será a base de um programa de educação ambiental mais amplo, que contará com trilha interpretativa, meliponário, minhocário e horta medicinal, aprimorando o trabalho de conscientização já realizado pela Reserva. Para apoiar a campanha, basta fazer uma doação, de qualquer valor. 

A intenção é obter o montante necessário até o próximo 15 de dezembro.  Além da satisfação de saber ter contribuído para uma causa tão importante, os participantes receberão ainda um livro de da gestora da RPPN, Renata Bomfim, que é escritora e presidente da Academia Feminina Espírito-santense de Letras, além de diretora técnica da Associação Capixaba do Patrimônio Natural (ACPN), que reúne os RPPNistas capixabas, proprietários de RPPNs. 

Renata e o marido, Luiz Bittencourt, têm construído todas as obras da RPPN sozinhos até hoje. E um dos motivos que os levou a buscar ajuda para o viveiro é o desejo de engajar mais pessoas na causa. “É uma forma de mostrar que prender um animal silvestre tem consequências para o animal e o meio ambiente e que dá muito trabalho readapta-los”, explica a escritora. “Essa campanha tem nos aproximado de pessoas maravilhosas, solidárias e a obra deixa de ser nossa e passa a ser da coletividade”, diz.

O nome Reluz, explica a RPPNista, nasceu da junção das iniciais dos nomes do casal, Renata e Luiz, e  foi escolhido pelo seu significado de relumbrar, resplandecer, brilhar muito. “Esse termo está alinhado com a ideia de que a vivência com o meio ambiente gera consciência, ilumina as mentes, estimula a adoção de hábitos sustentáveis e ensina valores importantes para a vida”, poetiza Renata . 

Pautada nos valores do vegetarianismo, a RPPN Reluz já realiza um sólido trabalho de educação ambiental na região, voltado a reduzir os maus tratos, o tráfico e os atropelamentos de animais selvagens, principalmente na região de Marechal Floriano, onde a Reserva está localizada. 



A Reluz também já recebe animais apreendidos e tratados no Centro de Triagem de Animais Silvestres (CETAS), inaugurado pelo Instituto Brasileiro de Meio Ambiente e Recursos Naturais Renováveis (Ibama) em novembro de 2010 e situado no cinturão verde do bairro Barcelona, na Serra. 

O Espírito Santo possui apenas duas estruturas de triagem e tratamento de animais vítimas do tráfico, de maus tratos e atropelamentos. Além do CETAS, existe o Centro de Reintrodução de Animais Selvagens, mais conhecido como Projeto CEREIAS, fundado pela Aracruz Celulose (Fibria/Suzano) em parceria com o Ibama em 1993 em Barra do Riacho, em Aracruz, no litoral norte do Estado. 

Depois de passarem por um dos dois centros, os animais são então encaminhados para áreas de soltura, que são basicamente as unidades de conservação estaduais e as RPPNs. Entre essas áreas, apenas seis possuem viveiros de aclimatação, e a demanda é grande. 

Somente o CETAS, este ano, já recebeu 2,6 mil animais, 85% deles aves, oriundos de apreensões feitas pela Polícia Militar Ambiental, Iema, prefeituras, ou mesmo Polícia Civil e Polícia Federal. 

“O ideal é o viveiro, porque é um lugar de aclimatação. O animal fica no viveiro pra se acostumar ao ambiente antes de ir para a floresta. É o que chamamos de ‘soltura branda’. Depois que ele se aclimata, o viveiro é aberto e o animal é quem decide quando irá sair”, descreve o analista ambiental do Ibama no CETAS de Barcelona Josiano Cordeiro Torezani. “Aumenta o sucesso da soltura”, ressalta.

“Estima-se que haja mais de uma centena de criadouros ilegais que podem ser, a qualquer momento, descobertos pelos órgãos fiscalizadores e terem as suas atividades suspensas, especialmente as aves psitaciformes. Essa realidade descortina um cenário no qual a qualquer momento um grande número de animais possa ser recolhido pela fiscalização, e faltar locais adequados para receber os animais apreendidos”, alerta Renata. 



O tráfico de animais silvestres é o terceiro comércio ilegal mais lucrativo do mundo, depois das drogas e das armas, lembra a ambientalista. Estima-se que um número entre dois e cinco milhões de aves são comercializadas ilegalmente no mundo todos a cada ano e grande parte delas, cerca de 90%, morrem antes de serem vendidas.

Nesse sentido, o projeto Revoar objetiva sensibilizar o público sobre o tráfico de animais e a importância de nunca comprar ou manter aves silvestres como animais de estimação. “Muita pessoa não tem consciência de que ao comparem um desses animais está cometendo um crime ambiental e um crime contra a vida e a liberdade, pois é incalculável o prejuízo causado à natureza, pois as aves tem um papel fundamental na disseminação das sementes e equilíbrio do meio ambiente”, adverte a escritora e RPPNista. 

Para escolher a forma de apoiar a campanha do Projeto Revoar, acesse o site da RPPN Reluz para obter o número de conta bancária, picpay e endereço do financiamento coletivo. 

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