Renda média de negros é 50% menor que a de brancos no Espírito Santo

Dados do IBGE evidenciam desigualdades sociais existentes entre raças em âmbito nacional e estadual

O Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) divulgou nesta quarta-feira (13) resultados da pesquisa Desigualdades Sociais por Cor ou Raça no Brasil, que evidenciam as desigualdades entre brancos e pretos ou pardos em aspectos como distribuição de renda, trabalho, educação, moradia, violência e representação política. 

A pesquisa de alcance nacional também divulgou informações de cada estado. No Espírito Santo, os dados mostram que as pessoas brancas ocupadas possuem uma renda mensal média 52,5% maior do que pessoas negras: R$ 2.485,00 contra R$ 1.629,00. Considerando a renda domiciliar per capta, a disparidade é ainda maior, 75%. Além disso, entre os desempregados, a taxa de pessoas pretas ou pardas é de 13,2%, o que corresponde a quase o dobro da taxa relativa às pessoas brancas (7,1%).

Sendo assim, a desigualdade racial na distribuição de renda é evidenciada também pelo fato de que entre os 10% mais pobres encontra-se grande maioria de pretos ou pardos (77%), enquanto que entre os 10% mais ricos são 36,8%.

Entre os que possuem os menores rendimentos, considerando a linha da pobreza proposta pelo Banco Mundial, a situação se repete, com pretos e pardos com taxas duas vezes maiores que dos brancos. Abaixo da linha da pobreza, que considera renda de U$ 5,50 estão 25,3% dos pretos ou pardos e 13,3% dos brancos. Abaixo da linha de extrema pobreza, são 4,8% dos negros e pardos e 2,5% dos brancos, considerando que tenham rendimentos inferiores a U$ 1,90 diário.

Sendo a educação um fator fundamental para garantir a igualdade de oportunidades, os dados com recorte racial também mostram um panorama de desigualdade. Embora a escolarização de pretos e pardos venha aumentando, o analfabetismo entre pessoas com mais de 15 anos de idade continua maior entre estes (6,1%) do que entre pessoas brancas (4,4%).

Outro aspecto interessante apresentado na pesquisa é sobre a representação racial nos espaços políticos. No caso do Espírito Santo, há apenas 10% dos deputados federais, 36,7% dos deputados estaduais e 37,9% dos vereadores identificados como pretos ou pardos, o que mostra números discrepantes com a realidade do Estado. De acordo com os dados do IBGE de 2018, a população do Espírito Santo seria formada por 37,1% de brancos, 11% de pretos e 51,1% de pardos, representando 99,2% da população total do estado segundo o recorte étnico-racial.

Em âmbito nacional, a taxa de representação foi de 24,4% dos deputados federais, 28,9% dos deputados estaduais e 42,1% do vereadores. Os dados do IBGE, entretanto, assinala que a sub-representação não se deve apenas à falta de candidaturas de pessoas pretas e pardas, já que nacionalmente elas representaram mais de 40% do total para os três cargos legislativos. 

Mas se analisada a distribuição dos recursos de campanha, pode-se observar por exemplo que entre as candidaturas para deputado federal mais custosas, apenas 16,2% das que tiveram receita igual ou maior que R$ 1 milhão eram pretos ou pardos. Considerando índice de mulheres pretas ou pardas, o resultado é bem inferior: elas totalizam 2,5% dos deputados federais, 4,8% dos deputados estaduais e 5% dos vereadores no país.

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