Petroleiros decidem em assembleia greve por quebra do acordo coletivo

No Espírito Santo, paralisação de cinco dias será avaliada pela categoria no próximo dia 21

Um indicativo de greve dos petroleiros será avaliado no próximo dia 21 pelo Sindicato dos Petroleiros no Espírito (Sindipetro-ES), seguindo determinação da Federação Única dos Petroleiros (FUP), para decidir sobre a paralisação por tempo determinado, de 25 a 29 deste mês, em defesa dos empregos e da segurança. Os petroleiros denunciam quebra de acordo coletivo de trabalho.

“Quanto vale sua vida e sua saúde? Quanto vale o seu emprego? Será que valem uma greve?”. Essas são as perguntas formuladas pelo Sindicato dos Petroleiros no Espírito (Sindipetro-ES) a seus filiados, a fim de motivá-los para a paralisação. 

Em documento enviado à Petrobras no último dia oito, a FUP questionou os gestores sobre o descumprimento do Acordo Coletivo de Trabalho, que foi mediado pelo Tribunal Superior do Trabalho (TST). A FUP cobrou que a Petrobras suspendesse imediatamente as demissões e deu prazo até o dia 12 de novembro para que a empresa se posicionasse, o que não ocorreu.

Os petroleiros denunciam que a agressiva política de despedidas, demissões incentivadas e transferências em massa de petroleiros, bem como a inclusão de metas de segurança, saúde e meio ambiente como critérios para pagamento de bônus e concessão de vantagens, ferem as cláusulas 41 e 86 do ACT (que tratam de efetivos) e o parágrafo 9º da cláusula 73, que veda o uso de metas de SMS em avaliações.

Informativo distribuído pela Federação divulga áudio que circulou entre os petroleiros, via WhatsApp, do gerente executivo de Recursos Humanos da Petrobras, Cláudio Costa, importado do governo João Dória (PSDB), de São Paulo, para cumprir os objetivos que elencou na palestra feita em fevereiro deste ano para os trabalhadores. 

Diz a mensagem: “É fato que quando a gente olha pra organização e olha pra frente, nós temos que reduzir, sim, o quadro de pessoal da companhia. Os nossos custos administrativos vão ser reduzidos. E não é só em São Paulo. Isso passa também por todas as áreas da organização, inclusive o Rio de Janeiro. Talvez muitos de vocês aqui não permaneçam na companhia nos próximos ciclos de suas vidas. Todo quadro de trabalho da companhia será reduzido. Dá para absorver todo mundo? Não dá. Algumas pessoas não ficarão na companhia”.

Segundo a publicação da FUP, em uma videoconferência, o gerente do Compartilhado, Jairo dos Santos Junior, também informou que a Petrobras exigirá dos petroleiros um “novo modelo mental”, onde vale tudo, inclusive absurdos, como trabalhar doente e “compensar” os dias de falta em função de licenças e afastamentos médicos. Tudo isso para alcançar as metas da gestão e o “nível de entrega” exigido pela empresa.   
O presidente da empresa, afirmam os petroleiros, “o ultraliberal Castello Branco, já anunciou que o seu sonho sempre foi vender a Petrobras e que irá transformar a petrolífera "o mais próximo possível de uma empresa privatizada".

Em outubro passado, os petroleiros chegaram a publicar deflagração de greve por tempo indeterminado em todo o Brasil. Mas, com a decisão do Tribunal Superior do Trabalho (TST) de aceitar quatro dos seis pontos pedidos pelos trabalhadores no Acordo Coletivo com a Petrobras, o movimento foi suspenso.

A categoria afirma que a gestão da Petrobras retirou diversas cláusulas do acordo, propôs reajuste salarial de apenas 70% da inflação e quer aumentar a assistência médica dos petroleiros em mais de 17%.  A empresa também está fechando e privatizando unidades em todo o país, o que ameaça postos de trabalho por meio de diversos planos de demissão.

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