Mensagem em redes sociais ameaça nova paralisação da Polícia Militar

Apesar das insatisfações, associação garante que texto não é oficial e que militares não podem fazer greve

O fantasma de fevereiro de 2017, quando a Polícia Militar do Espírito Santo realizou uma paralisação inédita de 21 dias, voltou a assombrar a população. Desde a madrugada desta quinta-feira (7), tem circulado nas redes sociais um texto, seguido de uma espécie de infográfico, que explicam os motivos de um novo movimento paredista, que estaria marcado para o próximo dia 15, uma sexta-feira. Entre os argumentos estão a remuneração, apontada como a pior do País, apesar do reajuste anunciado de 3,29%; a falta de estrutura e viaturas sem manutenção; tropa doente com a falta de efetivo; e também a aumento da alíquota para aposentadoria de 11% para 15%. 

Em tom alarmista, as mensagens pedem que a população estoque comida e água para que não seja pega de surpresa e que não saia às ruas. Diz ainda que o movimento é exclusivo de soldados, cabos e sargentos, que são os que atuam nas ruas. A Associação dos Cabos e Soldados (ACS) ressalta, porém, que o texto não é oficial, não partiu da associação nem de qualquer outra, e sequer é assinado, ou seja, não tem uma autoria identificada, podendo até ser classificado como uma fake news

“A polícia do Espírito Santo vai parar. O descaso do governador chegou ao limite, vamos parar de forma que não vão conseguir nos punir. Recebemos o pior salário do país, estamos avisando a população. Compartilhem e se protejam, nos vamos parar. Não queremos viaturas novas nem pistolas Glock, queremos salário. A tropa está pior do que em 2017. Essa greve será diferente, não vamos fazer nada, quem fizer será traidor e banido da tropa. Começa dia 15/11 se prepare população, se prepare militar, baixe, não aceite abusos, não rode em viatura quebrada, o que você ganhou de 2017 pra cá??? Os oficiais têm um monte de benefícios, e você que enfrenta bandido? A PM vai parar”, diz o texto.

Segundo o presidente da ACS, cabo Eugênio Silote, que também recebeu o texto por WhatsApp, a legislação impõe uma série de restrição aos policiais militares; entre elas, a impossibilidade de fazer greve. Para Silote, esse posicionamento é importante para que não seja criado um caos social e pânico, a exemplo do que ocorreu em 2017. Ou seja, não há nenhum movimento programado e que tenha apoio das associações. 

Por outro lado, o presidente da ACS diz que a insatisfação da tropa é real e tem sido levada, constantemente, ao conhecimento do comando da PM e ao secretário de Estado da Segurança Pública, Roberto Sá. “Os militares capixabas estão em dificuldade; alguns estão passando até necessidades básicas. Estamos alertando o governo para buscar uma solução”, disse.   

Frente busca apoio

A Frente Unificada de Valorização Salarial dos Policiais Civis e Militares e Bombeiros Militares articula apoio de entidades da sociedade civil, como a Ordem dos Advogados do Brasil no Espírito Santo (OAB-ES), e dos poderes instituídos como o Tribunal de Justiça do Estado (TJES), Assembleia Legislativa (Ales), Tribunal de Contas (TCE) e Ministério Público (MPES), para construir uma pauta de valorização para as carreiras da segurança pública capixaba. 

O primeiro encontro foi realizado com o presidente da Comissão Especial de Segurança da OAB, Henrique Herkenhoff, que, inclusive, já foi secretário da área na primeira gestão do governador Renato Casagrande (PSB). Também há expectativa de uma reunião com o próprio governador para tentar retomar as negociações que vão além do reajuste linear de 3,29%, calculado com base na correção da inflação de 2019, medida pelo  Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), e que virá incorporado aos contracheques de ativos e inativos a partir de dezembro.

Os policiais planejam também um grande ato público com a participação de todas as corporações que compõem a frente. O objetivo continua sendo mobilizar a sociedade civil em prol de investimentos na segurança pública do Estado. 

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