Terapias Holísticas e o Yoga no Ocidente

Influências não-Tântricas que espelham a via da negação do Cristianismo

Por volta de 2000 anos a. C. os povos arianos chegaram ou invadiram o Vale do Indo – onde floresceu a civilização dravidiana de natureza sensorial e livre e tântrica. Em função dessa chegada/invasão começou a surgir uma outra forma de Yoga, com base em outra visão de mundo – a das filosofias Vedanta e Brahmacharya.

Os povos arianos tinham uma concepção da existência muito diferente da visão de mundo dos povos dravidianos. Eles instituíram a filosofia Vedanta, na qual há presente a ideia de Brahman, Ser Supremo responsável pela criação e manutenção do Universo. Para essa corrente de pensamento, somos a centelha de Brahman e, em nós, está presente essa semente, que é Brahman, a qual é denominada de Atman (o espírito). Vê-se aqui a fonte do Cristianismo.

Para o Vedanta, o mundo fenomênico é fruto de Maya – a ilusão -, pois, em realidade, nada existe, pois tudo é Brahman – o ser onipotente, onisciente e todo abrangente. Maya faz com que o ser humano se afaste da fonte primeira de vida que é Brahman e faz o ser humano pensar que ele existe independentemente de Brahman, julgando que seu Atman é separado de Brahman.

Assim, quanto mais envolvido pelas forças de Maya, mais o ser humano se afirma no mundo, julgando ter seu próprio Eu, seu próprio Ego, afirmando cada vez mais essas instâncias de seu ser. Por tudo isso, todo movimento em direção à afirmação da personalidade (Eu/Ego) é visto de forma negativa, pois isto se constitui em um afastamento de Brahman.

Dessa forma, todos os anseios e todos os desejos sensoriais (principalmente aqueles ligados à sexualidade) são vistos de forma negativa, pois fazem com que o indivíduo obscureça cada vez mais o seu Atman. Nesse processo, Atman fica cada vez mais afastado de Brahman e o indivíduo passa a viver em total cegueira (Maya). Novamente percebe-se uma aproximação com as ideias do mundo cristão.

Para retirar esse indivíduo das forças de Maya e desta cegueira, surgiram várias formas de Yoga Vedanta, as quais visam, através da via da negação (negar o Ego, negar o Eu, renunciar à vida material e sensorial, etc), a levar o indivíduo ao estado de Moksha (libertação). Essa libertação significa livrar o indivíduo do mundo fenomênico (vida material, vida sensorial, vida sexual). Advém daí a via de negação, presente em todas as correntes místicas (incluindo o Yoga) e religiosas do Ocidente (a qual está na base também de quase todas correntes terapêuticas - místicas e esotéricas - ocidentais).

Além do termo Moksha (libertação), há outro termo essencial às correntes ligadas a essa via de negação, que é o termo Nirvana, termo do Budismo. O Budismo também tem suas bases no Vedanta e, por isso, Nirvana é algo negativo, pois representa o estado de abandono (negação) das coisas do mundo, com o objetivo de não se produzirem Karmas. Aquele que atingiu o Nirvana está apto a vivenciar um Mundo Superior: o Mundo Espiritual. Outro termo essencial ao Budismo, dentro dessa via de negação, é o termo Samsara. Dentro do Budismo, Samsara é tudo aquilo que prende o ser humano ao mundo das formas. Samsara é, aproximadamente, um sinônimo de Maya. Há outras correntes que buscam, por exemplo, o “Self-Realization”, que é o estado em que o indivíduo, através de variadas técnicas de negação, encontra o “Eu Verdadeiro”, e este “Eu Verdadeiro” nada mais é do que Atman e este Atman é nada mais nada menos do que Brahman e, para encontrar este Eu Verdadeiro, ele tem de negar totalmente sua personalidade e seu ego.

De alguma maneira, essas concepções foram impregnando o Yoga e o Ayurveda, gerando variadas linhagens e, consequentemente, inúmeras escolas, alterando na sua raiz, tanto o Yoga Tradicional Indiano, quanto o Ayurveda de linhagem tântrica. Assim, o Yoga e o Ayurveda que receberam tais influências ficaram muito centrados na questão de saúde e doença em si, esquecendo-se a ideia de que o indivíduo é, também, um ser emocional, mental e espiritual e, também, social e de que necessita de desenvolver, em sua existência, um processo concreto de transformação de si e do meio que o cerca.

As terapias holísticas, em função de apropriarem-se desse mundo de natureza Vedanta, também seguem no sentido de ver o mundo fenomênico como algo negativo e que atrapalha a evolução espiritual dos indivíduos.

Concretamente, como consequência de todo esse processo de “amálgama”, o movimento social, cultural e político presente no Yoga Tradicional Indiano e do Ayurveda de linhagem tântrica perdeu muito de sua força revolucionária e de transformação.

O que se tem nos dias de hoje é um movimento de Yoga Misto e de terapias holísticas e tal movimento reverbera sem uma concepção clara filosoficamente, utilizando de artifícios variados que não creditam ideias a nenhuma corrente de pensamento, aproximando seu caminhar do mundo das ciências e hábitos ocidentais, tendo como escopo reverberações do universo cristão.
 

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