Longa vida aos Romanis

Presto minha homenagem ao Dia Internacional dos Ciganos, que se mantém um dos mais misteriosos habitantes da terra

 

Ouvindo a famosa canção cigana do folclore russo, Olhos Negros, presto minha homenagem ao Dia Internacional dos Ciganos, 8 de abril. Fico surpresa em saber que comemoram uma data e que se reúnem em congressos.  Mas cigano é termo pejorativo: para designar esse povo nômade que veio do norte da Índia e se espalhou pelo mundo mantendo sua peculiar forma de vida, sofrendo perseguições e castigos, o termo correto é Romani, ou Rom, plural Roma. Esse grupo étnico desde sempre se mantém um dos mais misteriosos habitantes da terra, e entre suas muitas características estão: não ter posses, não dormir em camas, não terem vasilhame doméstico.


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Diferente de outras minorias, embora eles tenham um idioma próprio, não mantiveram uma linguagem escrita, talvez por não ‘educarem’ os filhos. Os romani esqueceram de onde vieram, não tendo portanto uma pátria para onde sonham voltar um dia. Por isso a história desse povo permaneceu ignorada por  vários séculos. No princípio eles se diziam egípcios, e a designação gipsy (ciganos) seria uma corruptela de egípcios. Mais tarde, estudiosos identificaram o idioma com um certo dialeto indiano, e a origem desse povo foi traçada: indianos de castas baixas que ganhavam a vida como músicos e cantores. 

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No ano 430, 12.000 artistas da tribo Jatt foram enviados como presente ao Rei da Pérsia, Bahram V. No entanto, grande parte deles foi capturada pelos bizantinos na Síria, para trabalharem como acrobatas e malabaristas. Antes da Primeira Grande Guerra, os romani formavam grandes multidões na Inglaterra e França, e eram grande atração, principalmente as mulheres, com muitos colares de ouro e elaboradas tranças nos cabelos. Os homens faziam trabalhos temporários nas fábricas, cervejarias, hotéis e restaurantes, fazendo e consertando objetos de cobre. Lembra da Esmeralda, no Corcunda de Notre Dame? Carmen, de Bisset?

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Mas a vida nômade dos romanis nunca foi bem-vista, e eles foram sempre perseguidos e discriminados por onde passavam, os homens com fama de ladrões de  cavalo e feiticeiros. As mulheres eram afamadas por saber ler a sorte, mas diziam que enquanto a mãe distraía a dona da casa, os filhos roubavam tudo que podiam. Proibidos de entrar em vários países, na Alemanha nazista eles receberam tratamento similar aos dos judeus, com torturas e trabalho escravo.  Hoje existem 6 milhões de romanis na Europa. 

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De 1880 a 1914, os Estados Unidos permitiram a entrada de um grande número de Ludar, o nome que receberam aqui, a maioria proveniente da Bósnia. Trabalhavam em circos como tratadores e adestradores de animais, e muitos trouxeram macacos e ursos na bagagem. Mas sua principal atividade sempre foi o trabalho com cobre. Com o tempo, o governo americano exigiu que as crianças frequentassem a escola, o que alterou muito seus hábitos nômades. Hoje existem muitos graduados e ilustres americanos descendentes dos romanis, que contam hoje um milhão nos Estados Unidos. 

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Deportados pelos portugueses durante a chamada Santa Inquisição, eles chegaram ao Brasil e se espalharam por toda a América Latina. Temos hoje uma população de 800 mil romanis. Em fevereiro de 2016, na Conferência International Roma, a ministra dos Assuntos Externos da Índia, Sushma Swaraj, disse que os romani são ‘filhos da Índia. A conferência foi encerrada com o governo indiano reconhecendo a Comunidade Roma espalhada por 30 países como sendo parte da Diáspora Indiana. 

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