Vitória inaugura o 'turismo sampaiófilo'

Visitantes de outros estados vieram de longe para curtir tributo ao ídolo no Festival Sérgio Sampaio

Natal - Recife - Belo Horizonte - Vitória. Depois de uma viagem longa e cansativa em aviões, lá estava o potiguar Sandoval Villaverde firme e forte na noite de quinta-feira (11) com a camisa do ídolo Sérgio Sampaio, curtindo o show de André Prando na Casa Subtrópico, provisoriamente renomeada como Bar do Auzílio no Centro de Vitória, em homenagem ao bar favorito do cantor cachoeirense em sua cidade natal.

Ele é um dos fãs que juntou dinheiro, organizou o tempo e veio de longe para participar da 13ª edição do Festival Sérgio Sampaio na capital capixaba. No hostel Guanaaní, que fez uma parceria com o festival para dar um desconto aos sampaístas (ou sampaiófilos), conheceu os cearenses Alexandre Vieira e Édson Vieira, que pese o mesmo sobrenome, não são parentes. Estes viajaram de madrugada e chegaram apenas na manhã de sexta-feira (12), o que faz com que Alexandre lamente o fato ter perdido a oportunidade de provar a piabinha frita e a cachaça de Cachoeiro de Itapemirim (sul do Estado), especialidades do Bar do Auzílio, além da curiosidade em saber o que era a Pela Égua.


Foto: Vitor Taveira

Agricultor e morador da Chapada de Ibiapaba, a 300 km de Fortaleza, ele conhece a obra de Sampaio há mais de 15 anos e apresentou o trabalho do artista ao amigo Édson, que vive em Praia da Taíba, a 76 km da capital do Ceará. Alexandre já tinha vindo a Vitória, onde mora sua filha. Édson visita o Espírito Santo pela primeira vez. “Saímos um pouco para conhecer Vitória. Mas aproveitar para curtir o Festival e conhecer a cidade durante a viagem”, conta.

Sandoval, que é professor do Instituto Federal do Rio Grande do Norte (IFRN), tinha vindo à capital capixaba por duas vezes por conta de eventos acadêmicos, mas garante que dessa vez a experiência é outra. “Essa terceira vez é muito diferente porque estou na terra do cara que estamos homenageando esses dias”, conta ele, que também vem conhecendo mais a cidade nos intervalos da programação do festival.

O professor é um sampaísta recente. Conheceu mais a fundo a obra de Sérgio Sampaio desde o ano passado, quando se envolveu na organização da Semana do Sampaio, que este ano está em sua quarta edição e acontece no IFRN. “Vim por conta própria para o movimento pela música do Sérgio Sampaio. Mas como a gente tem um processo de divulgação da obra dele lá também, estou trocando umas ideia, estreitando a conversa com a galera daqui,,para levar algo pra lá e quem sabe trazer também para cá o show do Iran Barreto, criador da Semana do Sampaio e um grande intérprete da obra dele”.

O visitante potiguar aproveitou a viagem também para conhecer pessoalmente outros sampaiófilos com quem trocava ideia e informações por um grupo de Whatsapp que reúne fãs de todo Brasil. Entre eles, Alcimar Nunes, que mora bem mais perto, em Cachoeiro, e frequenta o festival há oito anos. O cachoeirense teve que tentar explicar aos novos amigos porque o Festival Sérgio Sampaio acontece em Vitória e não na cidade natal do cantor.  “Em Cachoeiro, quando se quer fazer alguma movimento como esse, falta apoio da prefeitura e das empresas”, lamenta. Mas sugere como possibilidade apresentar as atrações do bate-papo musical e do show de forma alternada em Vitória e Cachoeiro.

Alcimar conhece quase toda família Sampaio e conta que chegou a dar carona a Sérgio para o Festival de Alegre em 1984. Nos últimos anos, perdeu apenas uma edição do tributo em Vitória. Já veio sozinho, com o irmão, com os filhos, com a namorada. “Não dá pra enjoar não. A gente sempre tá reciclando, descobrindo uma música nova, uma nova maneira de cantar, uma mensagem diferente na mesma música”, diz o conterrâneo do artista homenageado.

Na sexta-feira, visitantes e residentes curtiram um bate-papo musical com Renato Piau, que foi amigo e guitarrista de Sampaio, trazendo várias histórias da vida e carreira e interpretações de algumas de suas canções em companhia de Fábio do Carmo e João Moraes. No sábado, a programação foi intensa e teve início pela tarde com o Bloco na Rua, que circulou pelas ruas do Centro com um mini carnaval com as músicas do ídolo. Pela noite, o Sesc Glória recebeu o show Sociedade da Grã Ordem Kavernista Apresenta… Sérgio Sampaio, revivendo o lendário disco do cantor capixaba com Raul Seixas, Edy Star e Miriam Batucada, interpretados por Juliano Rabujah, Yuri Guijansque, Edvan Freitas e Júlia Papel, respectivamente. Para finalizar, ainda teve a Sampaiada na Rua Gama Rosa, com artistas tocando as músicas do artista nos bares.

“Sabemos que essa cena pode estar adormecida em cada estado brasileiro, porque a obra do Sérgio é uma coisa que está sendo estudada e despontando no Brasil. É muito interessante que não deixemos isso morrer e que cada estado tivesse uma homenagem como essa que acontece em Vitória. É o mínimo que se poderia fazer por um compositor tão bom, ainda mais nesses tempos em que estamos órfãos de música popular brasileira e nessa conjuntura que existe hoje”, afirma o cearense Alexandre Vieira.

Parece que Vitória inaugurou uma nova categoria: o "turismo sampaiófilo". Uma categoria que pode crescer, se os festivais e tributos se expandirem como sugere o visitante.

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