Tamar celebra Dia Internacional da Tartaruga Marinha neste domingo

Programação em Vitória comemora também o aumento de 20% no número de filhotes protegidos nesta temporada

Fotos: Fundação Pró-Tamar

No Dia Internacional das Tartarugas Marinhas, neste domingo (16), o Projeto Tamar celebra o aumento em cerca de 20% no número de ninhos e filhotes protegidos durante a temporada reprodutiva 2018-2019.

Os dados serão apresentados durante a programação de atividades no Museu da Tartaruga de Vitória, na Praça do Papa, que inclui uma Roda de Leitura sobre “Como nasce a tartaruga marinha” e "Alimentação Interativa das tartarugas marinhas nos tanques de educação ambiental".



A última temporada de reprodução das tartarugas marinhas registrou cerca de 2,7 mil desovas e 140 mil filhotes nas praias monitoradas pelas bases do Projeto Tamar em Linhares e São Mateus – Comboios/Regência, Povoação, Pontal do Ipiranga e Guriri – no norte do Espírito Santo.

Desse total, 90% são da tartaruga-cabeçuda (Caretta caretta), que tem o norte do Espírito Santo, o norte da Bahia e o norte do Rio de Janeiro como suas regiões preferenciais para desovas.



Apenas 4% são da tartaruga-gigante ou de-couro (Dermochelys coriacea), esta, a espécie mais ameaçada no mundo, classificada internacionalmente como Criticamente Em Perigo, e que, no Brasil, tem apenas o litoral norte capixaba como sítio reprodutivo.

Há ainda alguns registros da tartaruga-oliva (Lepidochelys olivacea) e da tartaruga-de-pente (Eretmochelys imbricata), que ocorrem mais no litoral do nordeste brasileiro. A tartaruga-verde só se reproduz nas ilhas oceânicas, de Trindade/ES, Fernando de Noronha/PE e Atol das Rocas/RN. Na costa capixaba e brasileira, a tartaruga-verde é encontrada com frequência, mas apenas seus indivíduos juvenis, para alimentação.

Envolvimento comunitário

Esse aumento de 20% nas desovas protegidas tem sido frequente nos últimos anos em todo o Brasil e se deve, principalmente, ao crescente envolvimento da sociedade no trabalho de conservação das tartarugas marinhas, especialmente das comunidades costeiras onde as bases do Tamar estão instaladas.



Nelas, também, é onde se concentram as atividades que geram trabalho e renda a partir de ações de conservação e educação ambiental. Em Regência, o Projeto Tamar é o principal empregador. E o Espírito Santo é o estado com mais grupos produtivos apoiados do Tamar, que geram 74 empregos diretos. A maioria é formado por mulheres. São cinco grupos produtivos: grupo de tecido em Regência, grupo de crochê em Regência, grupo de tecido na Terra indígena de Comboios, grupo de miçangas na Terra indígena de Comboios e grupo de bordados em Povoação.

“O trabalho de proteção das áreas de desova nos últimos 40 anos surtiu efeito positivo”, constata a oceanógrafa Ana Claudia Marcondes, coordenadora de pesquisa da Fundação Pró Tamar. A chamada “predação humana”, explica, reduziu consideravelmente nessas quatro décadas. A coleta dos ovos e matança das fêmeas, tão comuns no passado, hoje já praticamente não acontecem. “Apesar de haver algumas ocorrências, podemos dizer que já superamos”, diz.



Assim, é no mar onde estão as principais ameaças às tartarugas marinhas: a captura incidental em redes de pesca e o lixo, principalmente lixo plástico. E, nesse sentido, o Tamar realiza diversas campanhas educativas com os pescadores, para evitar o afogamento dos indivíduos presos em redes e outros artefatos pesqueiros. Além de apoiar o desenvolvimento de tecnologias que evitam esses incidentes, como o anzol circular.

A redução do lixo no mar é outro tema importante trabalhado nas campanhas do projeto, seja em suas bases e centros de visitantes, seja em planos de ação governamentais ou ações com outras instituições, como a recente campanha em parceria com a Assembleia Legislativa.

Apesar do crescimento contínuo no número de desovas e filhotes protegidos a cada temporada, todas as cinco espécies de tartarugas marinhas que ocorrem no Brasil continuam na lista vermelha de animais ameaçados, seja em âmbito estadual, nacional e mundial.

Dia Internacional das Tartarugas Marinhas

A data comemorativa presta uma homenagem ao nascimento do Dr. Archie Carr, cujos estudos e escritos são responsáveis por grande parte do que se conhece hoje sobre a biologia e o ciclo de vida desses animais.

Programação em Vitória

14h: Palestra – apresentação dos dados da temporada reprodutiva 18/19
15h: Roda de Leitura – “Como nasce a tartaruga marinha”, com Eunice Braldo
16h: Alimentação interativa das tartarugas marinhas
Local: Base do Projeto Tamar em Vitória, na Praça do Papa
Mais informações: Telefone (27) 3225-3787.

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