Servidores realizam protesto contra política de desvalorização de Juninho

Há insatisfação generalizada com o prefeito de Cariacica, acusado de descumprir a legislação

O Sindicato dos Servidores Municipais de Cariacica (Sindismuc) está à frente de uma mobilização que será realizada nesta quinta-feira (13) contra o que chama de política de desvalorização da prefeitura, comandada por Geraldo Luzia Júnior, o Juninho (PPS), em relação a seus servidores.

O protesto terá concentração marcada para as 8h30 na Praça do bairro de Campo Grande, seguindo com uma caminhada pela Avenida Expedito Garcia até o prédio do Centro Administrativo, localizado em frente ao estádio Kleber Andrade, onde será realizada uma assembleia prevista para às 12 horas.

De acordo com o presidente do Sindismuc, Luciano Constantino, a manifestação vem com o intuito de expor a situação dos servidores municipais e reivindicar direitos que estão sendo desrespeitados pela gestão atual, incluindo obrigações previstas em lei. Para o sindicato, está em curso a destruição sistematizada de direitos, como a falta de revisão geral anual dos salários, que se encontram defasados em aproximadamente 26,6%.

Há denúncia ainda de que os salários de técnicos administrativos estão até abaixo do mínimo; o auxílio-alimentação também tem valor abaixo do que é necessário para se alimentar durante um mês trabalhado; e falta revisão da tabela do Plano de Cargos e Salários.

A entidade destaca ainda pontos como o sucateamento da saúde pública; a terceirização do Pronto Atendimento (PA); falta de condições dignas de trabalho; o constante assédio moral sofrido pelos servidores; a falta de segurança nos postos de trabalho; e práticas antissindicais. 

Segundo Luciano Constantino, enquanto os servidores sofrem com a falta de valorização, a população de Cariacica sofre com a falta de serviços. “A gestão precisa cumprir com suas obrigações previstas em lei”, concluiu. 

Intervenção

Mês passado, o Sindicato dos Médicos do Espírito Santo e o vereador Professor Elinho (PV) pediram intervenção do Governo do Estado e do Ministério Público na Saúde de Cariacica. O motivo seria fechamentos recorrentes do PA do Trevo de Alto Laje. No dia 15 de abril deste ano, a pediatria ficou fechada durante toda a noite. O setor só foi reaberto às 7h20 do dia seguinte. Desde dezembro de 2018, o PA tem fechado setores durante todo o dia e foram registrados outros quatro fechamentos totalmente do PA infantil. Além disso, fechamentos parciais de uma manhã ou noite somam mais de uma dezena.

O presidente do Sindicato dos Médicos do Espírito Santo, Otto Baptista, denunciou à época um caos na rede ambulatorial de Cariacica, que está em colapso. Segundo ele, toda a população de Cariacica tem no PA do Trevo de Alto Laje uma válvula de escape para atendimentos ambulatoriais de urgência e emergência num único lugar, incluindo adultos e crianças.  

Otto reforçou motivos que tem levado a pedidos de demissão dos médicos, como escalas furadas, sobrecarga de trabalho, falta de condições de trabalho, incluindo superlotação, improviso que transformou o PA em unidade hospitalar sem ser essa sua finalidade. Também desorganização administrativa, falta de resolutividade, violência física e psíquica ao qual os médicos estão sujeitos, além de baixos salários. 

No dia 18 de abril, o Sindicato dos Médicos do Espírito Santo já havia emitido uma nota de repúdio contra declarações do prefeito Juninho (PPS), que, entre outros fatores, culpabilizou os médicos pela superlotação e atendimento precário no PA do Trevo. Nesse mesmo dia, pais e responsáveis que procuravam atendimento médico para suas crianças sequer conseguiam entrar na unidade superlotada. 

Na nota, os representantes do Sindicato dos Médicos alegaram que o prefeito expôs, publicamente em rede de TV aberta, uma fala surreal em que culpabiliza os profissionais médicos pela superlotação do PA do Trevo de Alto Lage. “O prefeito usou seu velho discurso, mentindo para população, com a finalidade de tirar o foco do real problema: a má gestão da Saúde de Cariacica. A verdade é que a maior parte dos problemas é resultado da péssima atuação do prefeito como gestor municipal e não de seus servidores”.

E completaram: “A verdade é que a gestão municipal nunca ofereceu condições de trabalho e segurança aos profissionais médicos que atuam em suas unidades de saúde”.

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