Propostas da Conferência de Ações Afirmativas começam a ser efetivadas na Ufes

Reuniões estão sendo realizadas em diversos setores da universidade, definindo plano de ação

Após a entrega do relatório final da I Conferência de Ações Afirmativas da Universidade Federal do Espírito Santo (Ufes) à Administração Central, no dia 14 de maio deste ano, a Pró-Reitoria de Assuntos Estudantis e Cidadania (Proaeci) e o Comitê Político Acadêmico da Conferência se preparam para iniciar o diálogo com os setores da universidade com os quais as 80 propostas do relatório têm interfaces. 

De acordo com notícia publicada no jornal Informa, da Ufes, o objetivo é traçar ações e estratégias para implementar a agenda afirmativa aprovada na  Conferência, realizada entre os dias 28 e 31 de agosto de 2018, no campus de Goiabeiras, quando foi avaliada a trajetória de uma década de ações afirmativas da universidade, iniciada com a implantação da primeira política de cotas adotada na instituição, em 2008.

O pró-reitor de Assuntos Estudantis e Cidadania, Gustavo Forde, explica que o relatório tem sido enviado às unidades da Ufes para conhecimento prévio do conteúdo; a partir daí, serão agendadas reuniões para que sejam definidas prioridades, prazos e metas. Essas ações fazem parte da etapa de “pós-conferência” e, segundo o pró-reitor, uma das prioridades do momento é dar visibilidade ao relatório e às agendas que ele propõe. 

Grupos

A agenda afirmativa produzida a partir das discussões da Conferência inclui propostas geradas em cinco Grupos de Trabalho (GTs): Políticas de Acesso, Políticas de Permanência; Políticas Afirmativas na  Pós-Graduação, Políticas de Currículo e Produção de Conhecimento e Políticas de Formação. Elas foram construídas na perspectiva da sustentabilidade sociocultural, territorial, educacional, científica e  tecnológica da população negra, mulheres, pessoas com deficiência, população do campo, quilombolas, população LGBTI+ e indígenas. 

O pró-reitor explicou que as propostas são amplas e diversas: “A expectativa é de que boa parte delas seja implementada o mais breve possível, mas algumas exigem um tempo maior, como aquelas que podem implicar em tramitações nos Conselhos Superiores da Universidade, por exemplo”, afirmou Forde.

Conferência

Dez anos depois da implantação das primeiras cotas para ingresso na Ufes, a Conferência "Políticas Afirmativas e Saberes das Diferenças” avaliou uma década de implantação das ações afirmativas na universidade e propôs melhorias para o sistema. 

De acordo o professor Gutavo Forde, o evento nasceu a partir do marco histórico desta primeira década de políticas de cotas na Universidade (2008-2017). Segundo ele, nesse contexto, foram dois momentos. Um de 2008 a 2012, quando foram implantadas as cotas sociais e, em seguida, de 2013 a 2017, com as cotas sociais e também raciais.

Para o professor, nesses 10 anos, é possível notar não apenas em termos quantitativos, mas qualitativos, a maior democratização da Ufes. “Podemos perceber que houve a maior democratização do ensino superior. Sujeitos de grupos historicamente subjugados passaram a ter acesso à universidade; houve uma mudança positiva, com certeza”, disse. 

No entanto, uma década depois, segundo Gustavo Forde, há outros desafios a serem superados, como o da permanência. Nesse caso, as condições socioeconômicas impedem que alguns dos alunos provenientes das ações afirmativas concluam os seus cursos.

Nesse sentido, a Conferência teve por objetivo também construir uma agenda afirmativa para indígenas, quilombolas, negros, mulheres, LGBTI+, pessoas com deficiência e população do campo que seja norteadora para as práticas no âmbito da universidade. Foram palestras e grupos de trabalho em que os 10 anos de implantação das ações afirmativas foram avaliados em seus pontos positivos e negativos.

A Conferência foi organizada pela Pró-reitoria de Assuntos Estudantis e Cidadania, por meio do Departamento de Cidadania e Direitos Humanos, em um processo de construção coletiva e dialógico com Coletivos Estudantis, Núcleos de Pesquisa, Grupos de Extensão, Centros de Ensino, Pró-Reitorias, Colegiados de Cursos, Programas de Pós-graduação, Entidades Representativas, Organizações da Sociedade Civil e de Movimentos Sociais.
 
 

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