Por trás dos debates, eleição de 2020 é a pauta principal da Assembleia

O deputado Xambinho (primeiro à esquerda) está de olho em Vandinho Leite, seu provável concorrente

As discussões com o tom de oposição ao governo do Estado promovidas pelo bloco de 10 deputados que se diz independente, ultrapassam as fronteiras de ações relacionadas aos projetos encaminhados pelo Executivo e outras das quais dependem a governabilidade. Mais do que isso, o que está em jogo é a formação de blocos políticos visando às eleições municipais de 2020.

Com o esfacelamento do grupo do ex-governador Paulo Hartung, aparentemente fora da política partidária, novas lideranças foram consolidadas a partir das últimas eleições, fruto de articulações que facilitaram o retorno do governador Renato Casagrande ao Palácio Anchieta. 

Esse alinhamento, bastante explícito no início da atual legislatura, com o apoio ao governo demonstrado pelo presidente da Assembleia, Erick Musso (PRB), aos poucos, porém, vai sendo desfeito. 

O clima de oposição ao governo, bastante incisivo nas duas últimas semanas, é construído por parlamentares pré-candidatos às eleições de 2020. Dois dos principais são os recém-eleitos Lorenzo Pazolini (sem partido), e Vandinho Leite (PSDB), que se afirmam como independentes, no entanto, buscam alinhamento com o grupo do presidente de Erick Musso, que coordena atualmente um dos mais influentes blocos políticos formados na campanha eleitoral de 2018. 

Com o foco em estabelecer contraditórios aos projetos do governo do Estado, Pazolini busca delimitar terreno a fim de garantir seu nome para disputar a prefeitura de Vitória. Para tanto, trabalha para conseguir espaço junto ao bloco do presidente da Assembleia e, ao mesmo tempo, alfineta o também novato Fabrício Gandini (PPS), cuja candidatura à sucessão do prefeito Luciano Rezende (PPS) foi anunciada ainda em 2018. 

As perspectivas para essas duas pré-candidaturas, nos meios políticos, não são animadoras: o apoio que Pazolini busca junto ao bloco de Erick Musso já está comprometido com o deputado federal Amaro Neto (PRB), campeão de votos no Estado e pré-candidato declarado à prefeitura de Vitória; e Gandini tende a ser colocado de lado, não somente por sua atuação tímida no Legislativo, mas, e principalmente, pelos ruídos na cena política dando conta de arranhões na aliança entre o seu partido e Casagrande.  

No caminho da Gandini, estaria o atuante deputado Sergio Majeski, do mesmo partido do governador, com quem tem se aproximado depois de um quase rompimento. Majeski foi preterido na disputa a Senado, em 2018, após esforço de Casagrande em firmar aliança com o ex-senador Magno Malta (PR), que defende bandeiras totalmente contraditórias ao mandato do deputado, o que resultou em sua desistência da candidatura. O recuo favoreceu o hoje senador Marco do Val, do PPS do prefeito Luciano Rezende, cuja atuação ainda não deslanchou.

Já Vandinho Leite, eleito presidente estadual do PSDB e pré-candidato à prefeitura da Serra, fixa suas baterias ao governo, mas trabalha, de outro lado, para desconstruir a aliança entre o bloco de Erick e o deputado Alexandre Xambinho (Rede), preferido do grupo para concorrer no município em 2020. 

Ex-vereador por dois mandatos na Serra, Xambinho tem forte influência nas comunidades e foi um dos apoiadores da campanha do deputado federal Amaro Neto, liderança que divide com Erick a coordenação do bloco, que conta ainda com o presidente do PRB no Estado, Roberto Carneiro, que centraliza as articulações.

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