Pescadores de Linhares vão a Belo Horizonte exigir direitos junto à Renova

Bancando viagem com recursos próprios, atingidos só retornam depois de atendimento satisfatório

Cinquenta e três pescadores de Linhares (norte do Estado) custearam, com recursos próprios, uma viagem a Belo Horizonte para exigir da Fundação Renova o atendimento a seus direitos como atingidos pelo rompimento da Barragem de Fundão, da Samarco/Vale-BHP, há mais de três anos.

“Muitos tiraram dinheiro de onde não têm, da conta de luz, do mercado, e fretamos um ônibus”, diz o presidente da Colônia de Pesca Z-6 Caboclo Bernardo, Milton Jorge.

Os pescadores partiram na noite de segunda-feira (8) e começaram a ser atendidos individualmente no Centro de Cadastramento da Renova no início da tarde desta terça (9).

A exigência é que sejam concedidos cartão emergencial, indenização e cadastro completo aprovado para cada um que ainda não obteve esses direitos. “Viemos com os formulários todos nas mãos”, conta Milton.

“Só vamos embora quando recebermos um atendimento satisfatório”, afirma. Depois que todos forem atendidos, o grupo fará uma avaliação e, caso estejam satisfeitos, retornarão para casa.

Milton estima que mais de 150 pescadores profissionais de Linhares ainda não receberam seus direitos como atingidos, havendo outros 700 que já estão recebendo auxilio emergencial ou tiveram indenizações pagas.

Já entre os pescadores de fato, que não possuem carteira nem protocolo de pedido de carteira de pescador profissional, ninguém foi atendido ainda em todo o Espírito Santo. Somente em Linhares, são mais de 200 nessa situação. “Linhares tem pescadores no rio, no mar e nas lagoas, que são 62”, lembra o presidente da Colônia Z-6.

Durante o atendimento em Belo Horizonte, a Renova prometeu que irá criar uma força-tarefa para ir nas comunidades a partir de semana que vem e atender aos demais. “Depois de três anos lutando, a gente sabe que isso é só promessa”, lamenta.

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