Parque Paulo Vinha sedia 1º Mini Contest Dia Mundial da Limpeza

Meio ambiente e empoderamento feminino marcam a ação, promovida pela Associação de Surf Feminino do ES

Uma grande união de sonhos, desejos e metas em comum, de instituições locais, nacionais e internacionais, das áreas ambiental e esportiva. É assim que surge o 1º Mini Contest Dia Mundial da Limpeza, que será realizado neste domingo (22) a partir das 8h, no Parque Estadual Paulo Cesar Vinha, em Setiba, Guarapari, no sul da região metropolitana da Grande Vitória, nas praias Recanto da Sereia, Dunas do Ulé e Tropical. 

Para a Associação de Surf Feminino do Espírito Santo (Asfes), uma das organizadoras, o objetivo é promover o surfe feminino capixaba, fortalecer o empoderamento das mulheres, somar esforços globais de equidade de gênero e apoiar a campanha global da ONU Meio Ambiente, além de viabilizar o financiamento para a retomada da Asfes, que havia paralisado suas atividades há alguns anos.

“É o primeiro evento de surfe do Estado com organização exclusivamente feminina”, afirma Valeria Demoner, advogada e surfista, uma das mobilizadoras da Asfes e do Mini Contest. 

A necessidade de apoiar a presença feminina no surfe vem de longa data e não é exclusividade capixaba. Em todo o Brasil, diariamente, as atletas sofrem preconceito e discriminação dentro do esporte, que é dominado por homens e pelo machismo. 


Foto: Asfes

“São fatos que acontecem no dia a dia e muitas mulheres não querem expor”, diz Valeria, citando desde casos de agressão verbal até o hábito de filmar a bunda das mulheres. “Filmam e dão risada. Se alguém reclama, dizem que ‘sempre foi assim’”, conta. Até quando ganham prêmios em competições, as mulheres sofrem o machismo. “Mês passado, as atletas que venceram uma competição em Linhares ganharam roupas de homens como prêmio”, relata. 

Dia Mundial da Limpeza 

Para iniciar o levante feminino no surfe capixaba, a Asfes se uniu ao Instituto Ecosurf, entidade nacional que é referência nas ações ambientais dentro do esporte e que realiza anualmente no Brasil, desde 2017, a Semana Mares Limpos, promovida pela ONU Meio Ambiente, e que tem como ápice o 21 de setembro, Dia Mundial de Limpeza das Praias (Cleanup Day, em inglês), considerada a maior ação cívica contra o desperdício e descarte incorreto do lixo no mundo. 

“A gente sempre utilizou o surfe pra esse tipo de atuação de preservação da natureza e de lazer com as crianças”, conta Valeria. Mas, percebendo a falta de apoio das atletas do Estado, onde não há campeonatos femininos e as mulheres não conseguem o mesmo espaço que os homens nas competições, surgiu a necessidade de fazer um pequeno campeonato, unindo o esporte e a preservação ambiental. “No campeonato vai contar pontos também a equipe que pegar mais lixo no dia”, explica.


Foto: Lauro Narciso

Ao propor a ação dentro do Parque Paulo Vinha, o apoio foi imediato por parte da gestão, feita pelo Instituto Estadual de Meio Ambiente e Recursos Hídricos (Iema). “Há muito tempo a gente não fazia um Dia Mundial da Limpeza dentro do parque. E unir essa ação com o campeonato de surfe, este ano, é uma proposta que se encaixa nos objetivos da unidade de conservação”, comenta a bióloga Joseany Trarbach, gestora da unidade de conservação.

O material coletado será exposto dentro de um golfinho feito de arame, que poderá ser usado em ações de educação ambiental de outras instituições. Em seguida, será enviado para reciclagem. 

O evento é aberto a todos que quiserem participar. As inscrições são gratuitas e podem ser feitas pela internet. Os participantes escolherão uma das trilhas disponíveis, com percursos de até oito quilômetros dentro do parque. A dica é usar protetor solar, levar garrafinha de água, usar boné ou chapéu, usar roupa leve e calçado fechado. 

Arte 

O campeonato de surfe acontece logo após a limpeza. As quatro equipes competidoras irão participar da ação junto a todos os demais participantes e terão o material recolhido pesado. Quem recolher mais lixo, já começar o campeonato com pontos na frente. 

Durante o evento, a artista plástica Marcely Fraga irá pintar uma prancha de surfe, agregando a arte à iniciativa. “Não é um movimento só do surf, mas de todas as mulheres. Estamos numa fase do mundo que a gente não suporta mais tanta violência todos os dias. Tanto os salários quanto violência dentro de casa. Está em todo o lugar, inclusive no esporte”, opina a artista, que ganhou no último mês um concurso internacional de pintura de prancha. 

“É importante as mulheres tomarem a frente nas questões ambientais, no consumo, nos hábitos. Tem uma nova geração chegando no surfe feminino, vai ser legal essa troca entre as gerações. Surf é meio ambiente, conexão com a natureza. Espero que seja o primeiro de muitos que virão pela frente, unindo o poder feminino com o cuidado de preservação”, declara. 

Após o campeonato, a DJ Fabiana Rocio irá comandar as pick-ups, fechando a programação com muita música dançante. “A ideia é colocar a galera pra mexer o cóccix, se divertir”, brinca a DJ. “Sons alegres, pra cima, de praia, pra manter o clima elevado”, garante. “Precisamos fortalecer a nossa rede, a gente tem que se juntar e surfar, não deixar nada oprimir o que a mulher quer fazer”, diz. 

Reservas de surfe

A escolha do Parque Paulo Vinha para o 1º Mini Contest se deve ao potencial do lugar para se tornar uma das primeiras Reservas de Surfe do Brasil, ao lado do balneário de Regência, em Linhares (norte do Estado). Ambos são points importantes do esporte e também lugares de elevada relevância ecológica. 

“Devemos propor nacionalmente a implantação de Áreas de Surf Protegidas - Reservas Mundiais, Nacionais, Estaduais e Municipais de Surf, que garantam um litoral com ondas protegidas e conservadas”, estabelece a Carta das Responsabilidades dos Surfistas, documento criado pela comunidade do surf na Rio+20, em 2012, onde constam 20 tópicos, distribuídos em quatro temas: Gestão Costeira, Educação Ambiental, Cultura Surf e Consumo e Protagonismo dos surfistas.

A base de reflexão dos conceitos contidos na Carta das Responsabilidades dos Surfistas (CRS| Surf 21) toma como referência e inspiração a Carta das Responsabilidades Humanas (CRH), a Carta da Terra, a Agenda 21 Global, o Tratado de Educação Ambiental para Sociedades Sustentáveis e Responsabilidade Global, e a Declaração Universal dos Direitos Humanos e os Objetivos de Desenvolvimento do Milênio (ODM).

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