Mais de 500 trabalhadores vão às ruas reivindicar saúde pública de qualidade  

Com o tema “Resistir pelo SUS público e democrático”, a Marcha homenageou o sindicalista Valdecir Gomes

A praça Getúlio Vargas, no Centro de Vitória, foi o ponto de concentração na manhã desta quarta-feira (10) da Marcha da Saúde 2019, que teve como tema “Resistir pelo SUS público e democrático” e fez uma homenagem póstuma ao sindicalista Valdecir Gomes Nascimento.

Por volta das 11h, um grupo superior a 500 pessoas, entre crianças, adultos, idosos, trabalhadores das mais diversas áreas, servidores da saúde e integrantes do Movimento dos Trabalhadores(as) Rurais Sem Terra (MST), do movimento negro e LGBTQ+,  todos munidos de cartazes, faixas e apitos, saíram em marcha com destino o Palácio Anchieta, sede do governo estadual.

Acompanhados por um carro de som e por percussionistas do Bloco Kizomba, o protesto ocupou uma das faixas da Avenida Jerônimo Monteiro. “Defendemos propostas de melhorias nas condições de trabalho para os servidores da saúde em níveis municipal e estadual. Além de cobrar transparência e bom uso das verbas do SUS [Sistema Único de Saúde], que carece de investimentos. E neste ano, estamos fazendo uma manifestação também contra a reforma da previdência de Bolsonaro. Trata-se de uma proposta de reforma cruel e desumana, que atinge todos os trabalhadores”, destacou Geiza Pinheiro, presidenta do Sindicato dos Servidores da Saúde (Sindisáude-ES).

Realizada anualmente pelo Sindicato, a Marcha é um dos mais importantes eventos no calendário da entidade e conta com o apoio de diversas centrais sindicais e movimentos sociais. “A luta por saúde pública, gratuita e de qualidade deve ser constante e encampada por todos. Agradecemos muito aos movimentos sociais e sindicatos envolvidos, além das pessoas que ocuparam as ruas conosco”, ressaltou Geiza 

Conferência Livre

Antes de sair em caminhada até o Palácio Anchieta, a Marcha teve uma novidade este ano: a 1ª Conferência Livre de Saúde, evento preparatório para a 9ª Conferência Estadual de Saúde e 16ª Conferência Nacional de Saúde. Além da coleta de assinaturas, que pede a revogação da EC 95, a Conferência Livre de Saúde foi um espaço para troca de informações sobre o SUS e a apresentação de propostas a serem encaminhadas para as etapas estadual e nacional.

Quatro palestrantes fizeram apresentações breves, na abertura da Conferência Livre de Saúde. Maruza Carlesso, do Conselho Estadual de Saúde, que fez um histórico das Conferências; e Renan Cadais, representando a Secretaria de Estado de Direitos Humanos, discorreu sobre a saúde como direito, com foco nas políticas públicas voltadas para a população LGBTQ+. Na sequência, Nildo Mendonça, representante da Central Única dos Trabalhadores (CUT-ES), apontou a importância do financiamento adequado e suficiente para o SUS. Por fim, Gerson Maia, presidente do Sindicato Nacional dos Aposentados e Pensionistas (Sintapi-ES), destacou os principais problemas da proposta de reforma da Previdência apresentada pelo presidente Jair Bolsonaro.

Ao final, foram lidas as 36 propostas apresentadas pelo público. “Elas serão agrupadas em cada nível de competência – municipal, estadual e nacional, quando as abordagens e temáticas assim permitirem, e depois serão consolidadas, antes de serem encaminhadas para as Conferências Estadual e Nacional”, explicou Maruza Carlesso, do Conselho Estadual de Saúde.

“A repressão sempre foi uma constante contra o MST. Já tivemos companheiros que tombaram, mas continuamos firmes na resistência. E estamos sempre buscando uma unidade mais forte com movimentos do campo e da cidade, pois só assim vamos dar uma resposta para aqueles que tanto nos massacram, humilham e reprimem. Por isso, estamos junto com o Sindsaúde-ES para fortalecer esta luta”, afirmou Geraldo Pires de Oliveira, do MST.

Já Marcos Herkenhoff, estudante de Medicina/Ufes e representante do Movimento Enfrente, ressaltou que “a Marcha da Saúde é um evento importante, simbólico e muito bonito. Estar em praça pública para lutar pelos direitos da população é de fundamental importância. Esta luta unificada que tenta barrar a proposta de reforma da previdência e contra o desmonte da saúde pública precisa de muita união. Nas ruas, o tempo todo, para defender o que é nosso, sem nenhum direito a menos".

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