Lenha na fogueira

Medidas do alto comando agravam clima de revolta na PMES e Assumção avisa: caem no colo de Casagrande

Com os bastidores da área de Segurança Pública pegando fogo devido a insatisfações acumuladas em relação ao governo Renato Casagrande, a portaria publicada pelo comandante-geral da Polícia Militar, coronel Moacir Leonardo Vieira Barreto Mendonça, proibindo os militares de emitirem opiniões consideradas prejudiciais à instituição é, no mínimo, sinal de inabilidade política da gestão estadual para contenção de crises. Não é novidade, e o governo sabe muito bem disso, que o clima nos bastidores já é tenso tanto entre a tropa da PMES como nas categorias da Polícia Civil, o que culminou inclusive na formalização de um pacto unificado para somar forças nas reivindicações à gestão de Casagrande. A situação agora só irá se agravar, intensificando a revolta da tropa, como alertou o deputado estadual Capitão Assumção (PSL) na sessão desta terça-feira (11) da Assembleia Legislativa. Além de criticar a portaria - apelidada de “lei da mordaça” - por violar a Constituição, que garante a liberdade de expressão e livre expressão do pensamento, Assumção voltou sua artilharia contra o coronel, que com tantos problemas na área, se ocupa com “medidas ridículas”. E mais: se Casagrande acha que está “passando batido”, Assumção deixou mais do que claro: está tudo caindo no colo do governador. Quem avisa...amigo é?

Lenha na fogueira II
Esse clima remete ao movimento de fevereiro de 2017, assim como a nova portaria, já que militares foram alvo de processos e até prisão devido à manifestação de opiniões em redes sociais na época. Quer dizer, numa hora dessas...uma medida dessas...

Lenha na fogueira III
O artigo polêmico veda aos policiais emitir opinião de caráter institucional sem autorização ou que venha a denegrir a imagem da corporação valendo-se, através de qualquer meio, da identidade corporativa em perfis pessoais ou institucionais. Como se vê, uma interpretação um tanto subjetiva, mas que serve de intimidação à categoria.

Boicote
As indicações para títulos de cidadão espírito-santense renderam debate nessa terça-feira. Puxado por Euclério Sampaio (sem partido), o grupo de independentes, em uma iniciativa considerada inédita, oficializou a questão de ordem para tentar barrar as homenagens de Iriny Lopes (PT) ao ex-deputado federal Jean Wyllys (Psol-RJ) e ao líder do MST, João Pedro Stédile. O pleito será submetido à Comissão de Justiça e, caso seja acatado, ao plenário.

Bloco
A medida é assinada, além de Euclério, pelos deputados do PSL – Assumção, Danilo Bahiense, Torino Marques e Coronel Alexandre Quintino -, Hudson Leal (PRB), Carlos Von (Avante), Vandinho Leite (PSDB), Alexandre Xambinho (Rede) e Marcos Mansur (PSDB).

Democracia
Euclério disse que a questão de ordem é “o mínimo para quem tem senso de família” e foi rebatido por Iriny, que voltou a defender a democracia e o direito de cada deputado fazer indicações de acordo com suas convicções. Embora esteja em campo completamente oposto, ela não reagiu às homenagens propostas ao “time de Bolsonaro” na Casa.

‘Cidadãos de bem’    
Além da mais alta honraria da Assembleia concedida à ministra da Mulher, da Família e dos Direitos Humanos, Damares Alves, articulada por Pazolini Assumção indicou os mesmos títulos ao presidente Jair Bolsonaro e aos ministros Sergio Moro (Justiça) e Ernesto Araújo (Relações Exteriores). A novidade revelada nesta terça: até a mulher de Bolsonaro está na lista, por iniciativa de Danilo Bahiense. 

Sem justificativa
A escolha de Bahiense foi citada pelo deputado Sergio Majeski (PSB), que fez coro à Iriny e defendeu a democracia, embora tenha frisado que não indicaria nenhum dos nomes apresentados pelos dois lados em questão. Ele destacou que a deputada nada disse em relação às indicações dos colegas e que o critério legal (ter feito algo pelo Estado) há muito não tem sido seguido por nenhum deputado, portanto, essa alegação não se sustenta. 

Discussão inútil
Majeski disse ainda que, em meio à polarização instalada no País, a discussão é inútil e só serve para acirrar os ânimos, como provado nas redes sociais, que têm execrado Iriny. O deputado defendeu que todos têm direito à crítica, mas barrar a homenagem chegar a ser deslealdade. “A Assembleia devia se concentrar na LDO, que teve 200 emendas rejeitadas. Isso sim é importante”.

Atropelou
Já Vandinho Leite, o único do bloco que correu para as redes sociais na última quinta-feira (6) para se colocar contra as indicações e que não sessão dessa segunda tinha optado por nada dizer, entrou na discussão, só que em hora indevida. Ele citou o tal do critério e descambou para um discurso contra Jean Wyllys, mudança de gênero, cuspe em Bolsonaro...até ser interrompido por Enivaldo dos Anjos (PSD), já que não era fase de debate.

PENSAMENTO:
"O segredo de aborrecer é dizer tudo". Voltaire

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