I Encontro de Agroecologia do Ifes/Alegre acontece na próxima quinta-feira

Haverá distribuição de milho crioulo, palestras, exposição fotográfica, almoço PANC e banca agroecológica

Fotos: Geraldo Dutra

A magnitude da maior unidade de conservação, que protege a segunda maior área contínua de Mata Atlântica do Espírito Santo, o Parque Nacional do Caparaó, ainda não se mostra devidamente refletida na economia e indicadores sociais das comunidades rurais e urbanas que estão ao redor do parque.

A Região do Caparaó Capixaba é composta por onze municípios localizados no entorno direto e indireto do Parna Caparaó: Alegre, Divino de São Lourenço, Dores do Rio Preto, Guaçuí, Ibatiba, Ibitirama, Irupi, Iúna, Muniz Freire, São José do Calçado e Jerônimo Monteiro, onde a população está majoritariamente na zona rural (55%).

A dependência da agricultura convencional, com predomínio de monoculturas – café e pasto, com avanço recente do eucalipto – e uso de agrotóxicos, faz com que os municípios estejam nas últimas posições no ranking do Produto Interno Bruto (PIB) per capita do Estado.

A necessidade de revitalizar a agricultura, com técnicas mais modernas e sustentáveis, deixa explícita a importância de fortalecer a agroecologia na região, com seus princípios de conservação da saúde ambiental e humana e melhor distribuição de renda.


Nesse sentido, o curso de Pós-Graduação Mestrado Profissional em Agroecologia do Instituto de Federal do Espirito Santo (Ifes) – campus de Alegre - realiza a o seu I Encontro Anual de Agroecologia (ENAA) na próxima quinta-feira (25), com o tema central “Agroecologia e Qualidade de Vida”.

O objetivo é “oportunizar um espaço de diálogo entre a academia, estudantes, professores, extensionistas, agricultores familiares e consumidores acerca da necessidade da produção de alimentos forma sustentável, respeitando todas as formas de vida”, declara o educador socioambiental, mestrando do curso e membro da comissão organizadora do evento, Geraldo Dutra.

Entre os palestrantes, estão os professores da Universidade Federal do Espírito Santo (Ufes) de Alegre Haloysio Mechelli de Siqueira, sobre A transição agroecológica no contexto externo às unidades de produção; Eduardo de Sá Mendonça, sobre Agroecologia e a produção de serviços sociais e ambientais; e Ana Cláudia Hebling Meira, sobre Desenvolvimento, agroecologia e qualidade de vida.

PANC

A programação conta ainda com atividades culturais; apresentações orais e de pôsteres; exposição fotográfica Cenários do Caparaó; Mostra PANC [Plantas Alimentícias Não Convencionais], pelo Laboratório de Botânica (Labot) do Ifes/Alegre; Almoço PANC, com arroz integral, feijoada vegana, salpicão de jaca, angu de banana, salada de legumes, verduras e flores; e banca agroecológica com comercialização de produtos.

Sementes crioulas

Haverá ainda distribuição de sementes de milho crioulo da variedade Fortaleza, produzidos originalmente na comunidade de Fortaleza, em Muqui, município vizinho ao Caparaó.

A distribuição será simbólica, de cerca de dez quilos, em pequenas sacolinhas para os participantes. O sentido do ato, no entanto, é nobre e tem intenção de longuíssimo prazo. “Só há uma forma de valorizar os guardiões das sementes crioulas, que é fazer com que a sociedade saiba o que é uma semente crioula, fazendo essa semente chegar às pessoas”, pondera Geraldo Dutra, o Gê.

A distribuição de sementes teve início em 2016, quando o Núcleo de Estudos em Agroecologia e Produção Orgânica do Sul do Espírito Santo e da Região do Caparaó (Neases) do Ifes/Alegre desenvolveu um projeto voltado para a multiplicação de sementes de milho crioulo, da variedade Fortaleza.


O Projeto Educação Ambiental Participativa e Agroecologia Através da Multiplicação de Sementes Crioulas envolveu estudantes do ensino médio, professores, o Programa de Pós-Graduação em Agroecologia e o setor de Agroecologia do Campus, além da Prefeitura Municipal de Alegre, na multiplicação das sementes de milho e posterior distribuição a agricultores familiares de Alegre.

Sem romantismo

O projeto foi apresentado no I Congresso Latino-Americano, X Congresso Brasileiro e V Seminário do DF e Entorno realizado Brasília-DF em 2017, onde as sementes foram distribuídas, sobretudo, para agricultores familiares, moradores de assentamentos e representantes de grupos de Agroecologia e de Agrofloresta de 12 estados.

A iniciativa, afirma Gê e seus colegas de projeto, “facilitou que o grupo refletisse sobre as percepções românticas, combatendo assim a visão monodisciplinar sobre Agroecologia, meio ambiente, educação ambiental, e valores desconhecidos pelas estudantes em relação a agricultura familiar”.

Leia Também:

Comente Aqui
Confirme seu comentário no e-mail em até 48 horas para mantê-lo ativo.
Atenção caros leitores, comentários com link não serão mais aceitos. Evite ser bloqueado.
0 Comentários

Seja o primeiro a comentar.

Matérias Relacionadas

Terceiro protesto da Educação expõe sucateamento e risco de privatização

Ato da Greve Nacional realizado em Vitória contou com passeatas e críticas ao programa Futura-se

Festival de Teatro de Guaçuí começa no domingo com 19 apresentações

Comemorando 20 anos, evento mobiliza companhias de 8 estados e público de Minas Gerais e Rio de Janeiro

O papel que os bancos não cumprem no apoio à agroecologia de base familiar

‘A burocracia para financiamento ainda é muito maior quando a proposta é agroecológica’, diz líder do MPA

Alojamentos construídos com bambu são alternativas para ecoturismo no Caparaó

A Aldeia Alegria, em Patrimônio da Penha, prepara um workshop para difundir técnicas de bioconstrução