Grupo pede reforço na investigação sobre denúncias de crime organizado na Serra

Iniciativa de lideranças comunitárias respinga na aparente trégua entre Rodrigo Caldeira e Audifax

Seis meses depois da denúncia do prefeito da Serra, Audifax Barcelos (Rede), sobre ações do crime organizado na Câmara da Serra, um grupo de lideranças comunitárias do município pediu nesta segunda-feira (7) reforço na investigação para apurar as declarações do prefeito, divulgadas em coletiva de imprensa no último mês de abril. 

Em ofícios encaminhados ao Ministério Público e Tribunal de Justiça, com cópias à Ordem dos Advogados do Brasil (OAB-ES), o grupo solicita, também, apuração de irregularidades na prefeitura denunciadas pelos vereadores e a reabertura da Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) da Saúde, suspensa pela Justiça. 

A solicitação reforça a decisão do desembargador Pedro Valls Feu Rosa encaminhada para a Procuradoria do Tribunal de Justiça (TJES), em setembro passado, processo que já apura a prática de crime contra a honra no qual Audifax é réu, a partir de denúncia formulada por 10 vereadores.

O processo é decorrente de inquérito policial instaurado no rastro das declarações do prefeito, que apontou para a existência de uma organização criminosa no legislativo municipal, em abril deste ano, no auge do conflito entre os dois poderes.

O grupo, denominado Zap Sociedade civil Organizada, vem se reunindo semanalmente em diferentes bairros do município, e marcou para o próximo dia 19, às 8 horas, na avenida Central de Laranjeiras, uma concentração seguida de caminhada, com o objetivo de “cobrar que todas as denúncias postas pelo Poder Executivo, prefeito Audifax, Câmara de Vereadores e o presidente Rodrigo Caldeira (Rede), e do vereador Fábio Duarte (sem partido) sejam apuradas pelo Poder Judiciário”.

A convocação, que já conta com o apoio de 32 lideranças comunitárias, respinga na aparente trégua entre o prefeito Audifax Barcelos e a Câmara de Vereadores, fechada no mês de julho, depois de um embate bastante acirrado em março, resultando na instalação de oito comissões processantes e na CPI da Saúde. Essas investigações foram suspensas na Justiça

“O prefeito denunciou à imprensa que o crime organizado estaria patrocinando ações na Câmara da Serra para derrubá-lo do cargo. Diante da acusação, o presidente da câmara, vereador Rodrigo Caldeira, subiu à tribuna para devolver a acusação. Disse ele na ocasião que o crime organizado estaria sim, atuando na prefeitura, e alegou possuir provas”, afirma o documento do grupo. 

E acrescenta: “As acusações geraram pedidos de segurança pessoal ao governador e boletins de ocorrência na polícia, sob a alegação de que o prefeito caluniara os vereadores. Apesar das 'gravíssímas' acusações dos dois lados, o prefeito e os vereadores, inclusive o presidente da Câmara, que é do mesmo partido do prefeito, fizeram 'um acordo' e 'abafaram o caso'. As duas facções políticas resolveram caminhar juntas”. 

A CPI da Saúde, aprovada em março, também iria investigar supostas irregularidades em contratos celebrados entre a prefeitura e empresas prestadoras de serviços, incluindo suspeita de pagamento de propina. Integram a CPI os vereadores Basílio Neves (Pros), o Basílio da Saúde, presidente; Stefano Andrade (PHS), relator; e Fábio Rosa (PSB), o Fabão da Habitação, tendo como suplentes Aécio Leite (PT) e Roberto Catirica (PHS). 

Seriam chamados a depor o ex-secretário de Saúde Benício Farley Santos, que pediu exoneração do cargo em 2018 e já prestou depoimento ao Ministério Público Estadual, a subsecretária Crintiane Stein, gestores e empresas que mantêm contrato com município.

Audifax Barcelos (Rede) e o presidente da Câmara de Vereadores, Rodrigo Caldeira, cessaram as desavenças e passaram a andar juntos. No rastro do conflito entre o prefeito e a Câmara, os vereadores Geraldinho Feu Rosa (PSD) e Nacib Haddad (PDT) foram afastados das funções, por motivos alheios, reduzindo de 16 para 14 o bloco de oposição a Audifax no legislativo municipal.  

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