Fundador do The Intercept encara Marcos do Val em depoimento no Senado

O jornalista Glenn Greenwald falou na Comissão de Constituição e Justiça do Senado Federal

“Por que até agora o Sr. Moro e o Deltan Dellagnol e outros integrantes da força-tarefa da Lava Jato nunca negaram nenhuma coisa que foi publicada?”.  

A pergunta é do jornalista Glenn Greenwald, fundador do site The Intercept Brasil, ao responder ao questionamento do senador Marcos do Val (PPS), que colocou em dúvida a autenticidade das gravações secretas do ex-juiz e atual ministro da Justiça, Sergio Moro. 

Convidado pela Comissão de Constituição e Justiça do Senado, Greenwald falou a senadores nesta quinta-feira (11) sobre os vazamentos de conversas entre Moro, o procurador da República Deltan Dallagnol, coordenador da força-tarefa da Operação Lava Jato, e outros procuradores, pelo aplicativo Telegram. 

Desde 9 de junho, o The Intercept Brasil, em parceria com outros veículos, vem revelando uma série de conversas privadas que, segundo Greenwald, mostram Moro e procuradores, principalmente Deltan Dallagnol, combinando estratégias de investigação e de comunicação com a imprensa no âmbito da Operação Lava Jato, que colocam em dúvida a imparcialidade do então juiz.

O senador Marcos do Val colocou em dúvida a autenticidade das informações, afirmou que existe um trabalho profissional por trás dos dados divulgados, e questionou por que Glenn não entregou o material à Polícia Federal ou ao Supremo Tribunal Federal (STF).

 “Somente depois de ele (Moro) tomar um lado dentro dessa organização política brasileira é que começaram os ataques. Você não pode derrubar o argumento, tenta derrubar o argumentador”, disse Do Val, tocando exatamente no ponto em que a atuação do ex-juiz e ministro da Justiça, Sergio Moro, é questionada do ponto de vista ético. 

O jornalista respondeu que as informações foram recebidas de uma fonte segura e que a Constituição Federal e o Código de Ética dos Jornalistas garantem o sigilo. “Eu li a Constituição Brasileira que protege e garante exatamente o que estamos fazendo e confio muito nas instituições para aplicar e proteger esses direitos. O clima que o ministro está tentando criar é de uma ameaça à imprensa livre”, disse. 

Glenn, que é também advogado formado nos Estados Unidos, disse ter ficado chocado ao ler o material pela primeira vez, pois “tinha nas mãos a evidência mostrando que o tempo todo Sergio Moro estava não só colaborando com os procuradores, mas mandando na força-tarefa da Lava Jato”.

Em sua exposição inicial, o jornalista também lamentou a baixa presença de senadores, em especial do PSL, partido do governo Jair Bolsonaro, que, segundo ele, o atacam virtualmente, mas não compareceram para debater.

Ele disse que gostaria de discutir frente a frente as acusações falsas que estão espalhando. “Esta é uma oportunidade para discutir essas acusações na minha cara, para examinar se elas são falsas ou verdadeiras, mas infelizmente eles não estão aqui para fazer isso”. E completou: "Eu sou jornalista, não sou político. Não tenho fidelidade com qualquer partido. Publicamos artigos criticando partido de direita e de esquerda e estamos defendendo os princípios cruciais e fundamentais para uma democracia: a imprensa livre”, ressaltou. 

Vencedor do prêmio Pulitzer por ter revelado, em 2013, um sistema de espionagem em massa dos Estados Unidos com base em dados vazados por Edward Snowden, Glenn Greenwald, destacou ainda que à época sua credibilidade não foi colocada em dúvida.

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1 Comentários
  • romilson rossi , sábado, 13 de julho de 2019

    A pessoa que defende Moro gostaria que, numa causa judicial, o magistrado se unisse à outra parte contra ela? Agindo assim, Moro deixou de honrar a toga. Além dessa ação condenável, ele ainda teve a cara de pau de pau de aceitar um cargo de um adversário de quem foi condenado por ele. Tudo devidamente calculado. Merece cadeia.

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