Fórmula 2018

Em colisão com Casagrande e alinhado à onda Bolsonaro, projeto de militares cai no colo do PSL, de Manato

Há anos empenhados em delimitar território político no Estado, mas nunca em um cenário tão favorável como o consolidado a partir das eleições do ano passado, os policiais militares e bombeiros têm até o dia 5 de outubro para apresentar seus nomes nas disputas de vereador e prefeito e vice de 2020. Os interessados precisam assinar um tempo de compromisso definido pelas entidades representativas da categoria que integram o Projeto Político Militar (PPM) e, depois, serem submetidos a um plebiscito, que irá definir a lista final de candidatos. Se na disputa passada o movimento cresceu em cima do ex-governador Paulo Hartung, devido aos efeitos trágicos do movimento de fevereiro de 2017, que resultou em prisões, perseguições e ameaças aos militares, no ano que vem a meta é ocupar espaços já pensando em 2022, quando estará em jogo a reeleição do governador Renato Casagrande, que desiludiu a tropa muito mais rápido do que se imaginava. A estratégia, por outro lado, se alinha ao PSL, do ex-deputado federal Carlos Manato, abrigo preferido dos membros ligados à Segurança Pública, alinhados com a “onda Jair Bolsonaro”. Em 2018, os militares fizeram “barba, cabelo e bigode” no País e, por aqui, elegeram à Assembleia Legislativa os deputados estaduais Capitão Assumção e coronel Alexandre Quintino, pelo PSL, e Da Vitória (Cidadania) à Câmara dos Deputados – os dois primeiros mais identificados com a categoria e com papel de destaque na própria greve. Agora, o partido do presidente quer mais, os militares também. Mas as eleições municipais têm outros contornos. Resta saber se a fórmula de 2018 ainda valerá para 2020. 

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As diretrizes do Projeto Político Militar foram divulgadas nessa terça-feira (3), após discussão com cinco entidades que representam quase nove mil policiais e bombeiros – ACS, ASSES, Aspomires, ABMES e Assomes. Na eleição passada, havia uma obrigação de os pré-candidatos se filiarem ao mesmo partido. Desta vez, dizem que o movimento é apartidário. Mas, de um jeito ou do outro, tudo continua acenando para o PSL. 

Lista prévia
Os nomes serão conhecidos no dia 5 de outubro, no 1° Seminário do Projeto Político Militar, data limite para entrega dos Termos de Compromisso. Na lista, deverão surgir novas apostas e militares já testados nas urnas, como o vereador de Viana, Cabo Max (PP), Joel da Costa (Cidadania) e Olmir Castliglioni (Avante). Os três disputaram a Assembleia no ano passado, mas não se elegeram.

Em campo
Outro que também concorreu em 2018 e que já foi lançado pelo PSL candidato a prefeito em Cariacica é o Subtenente Assis, dos Bombeiros. Ele obteve 247,1 mil votos como candidato ao Senado na chapa de Carlos Manato.

Território
Hoje, dos 78 municípios capixabas, as categorias só têm um representante em prefeitura, o coronel Weliton Virgílio Pereira, em Iúna. Já vereadores estão espalhados, cerca de 20. 

Racha
“Deu ruim” nas articulações internas do Podemos para a chapa de vereadores da disputa de 2020 em Vitória. Um grupo de pré-candidatos reclama que o presidente municipal da legenda, Rogerinho Pinheiro – o PHS foi incorporado pelo Podemos – descumpriu o acordo que deu início às conversas e passou a defender a candidatura a prefeito do deputado estadual Fabrício Gandini (Cidadania), quem jurava não apoiar.

Racha II
Além da própria aliança em si, os ruídos de insatisfação apontam para a conhecida máxima do “uma mão lava a outra”. No centro da questão que teria resultado na decisão de Rogerinho, os famosos cargos comissionados. Agora, tem gente atrás de outro abrigo partidário para disputar o pleito.

Boladas
O governo do Estado abriu créditos suplementares de R$ 2,5 milhões e R$ 13,5 milhões ao Tribunal de Justiça (TJES). Os recursos são provenientes do superávit financeiro apurado no balanço patrimonial do exercício de 2018 e serão destinados, respectivamente, a pagamento de pessoal e ao Fundo Especial do Poder Judiciário. Pra essa área, sempre tem!

Se não foi por bem...
Em Guarapari, a comissão processante da Câmara de Vereadores que investiga a denúncia contra o vereador afastado Dito Xaréu (SDD) decidiu solicitar a condução coercitiva do ex-secretário Municipal de Turismo Edgar Bhele. Já é a segunda vez que, convocado, ele não comparece. 

Se não foi por bem II...
O ex-secretário (atuou na atual gestão) foi citado em oitivas por promover almoços para debater a lei de eventos, que está no centro do caso. Dito Xaréu teve áudios que seriam de sua autoria vazados, indicando propina e articulações para atender a interesses de empresários da cidade, que vive do turismo.

PENSAMENTO:
“Se os fatos não se encaixam na teoria, modifique os fatos”. Albert Einstein

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