Cursinho popular abre inscrições para pessoas trans e travestis

Desde 2017, Travestibular prepara gratuitamente para Enem e ajuda na conclusão de Fundamental e Médio

Inspirado em experiências similares que acontecem no País, o cursinho popular Travestibular foi criado em 2017 por um grupo de estudantes, professores e psicólogos buscando apoiar a população travesti, trans e não binárias no acesso ao ensino superior e também na conclusão do ensino fundamental e médio, quando necessário. Em seu terceiro ano de atividades, o projeto acaba de abrir matrículas que podem ser feitas preenchendo um formulário online. Com conteúdo baseado na educação popular, as aulas são gratuitas e ministrada por professores voluntários.

“O Travestibular tem como propósito dar suporte pedagógico, contribuir para formação e também para fortalecimento de todas as pessoas envolvidas na busca por mais direitos e dignidade para a população travesti e trans do Espírito Santo”, diz o chamado do projeto. As aulas acontecem aos sábados.

O cursinho se define como autônomo, autogestionado, horizontal e coletivamente organizado e tem em seus princípios a luta por acesso e permanência, a defesa da universidade pública de qualidade, o combate às opressões, o anticapitalismo, a pedagogia libertadora, a educação popular e o retorno à comunidade de tudo que foi aprendido e conquistado no cursinho e, posteriormente, na universidade

“Ao pensar em educação, temos a escola como um ambiente extremamente excludente para todos aqueles que de alguma forma não se encaixam nos padrões”, diz Jhow Miguel, um dos alunos que passou no vestibular e seguiu ajudando voluntariamente na coordenação do cursinho. Ele conta que concluiu o Ensino Médio em 2010, mas não cogitada ingressar no ensino superior até conhecer o projeto. “O Travestibular me trouxe não apenas conhecimento, como empoderamento sobre resistir em espaços sociais, sendo uma pessoa trans, quando a sociedade me exclui e me violenta todos os dias, desde o pronome até a falta de empregabilidade”, relata.

Comente Aqui
Confirme seu comentário no e-mail em até 48 horas para mantê-lo ativo.
Atenção caros leitores, comentários com link não serão mais aceitos. Evite ser bloqueado.
0 Comentários

Seja o primeiro a comentar.

Matérias Relacionadas

'Não somos indígenas só em abril. Somos indígenas nos 365 dias do ano'

Às vésperas do Dia do Índio, guaranis e tupinikim foram convidados na Ufes e no gabinete do governador

Setenta famílias ameaçadas de despejo violento em acampamento do MST

Movimento quer transformar área abandonada e endividada em Nova Venécia em assentamento agroecológico

'Temos que partir do pressuposto de que todos ativistas estão grampeados'

Thiago Fibrida, da Artigo 19, veio a Vitória falar sobre segurança da informação para movimentos sociais

Casa dos Direitos poderá receber atividades de movimentos sociais

Entidades ligadas a direitos humanos terão à disposição salas de reuniões e auditório no Centro de Vitória