Comunidade escolar já toma as ruas em Vitória e no interior contra cortes

Pela manhã, protesto saiu da Praça do Papa até Assembleia. À tarde, passeatas sairão da Ufes e do Ifes 

O dia da Greve Nacional da Educação, nesta quarta-feira (15), começou agitado com protestos realizados em Vitória e também no interior do Estado, sobretudo nas cidades de São Mateus (norte), onde há um campus da Universidade Federal do Espírito Santo (Ufes); e em Colatina (noroeste), nas unidades do Instituto Federal capixaba, o Ifes. Por volta das 16h30, começam concentrações para passeatas que sairão da Ufes Goiabeiras e do Ifes Jucutuquara em direção à Terceira Ponte e à Assembleia Legislativa (Ales). 



Ainda pela manhã, na Capital, manifestantes tomaram a Avenida Nossa Senhora dos Navegantes, saindo da Praça do Papa até a sede da Assembleia. Organizado pelo Sindicato dos Trabalhadores em Educação Pública do Espírito Santo (Sindiupes-ES), que representa professores da educação pública estadual e municipais, a passeata contou com apoio de outras entidades e centrais sindicais.  

Outros movimentos ocorriam paralelamente. Estudantes da unidade do Ifes, em Vila Velha, protestaram em frente à unidade. Alunos do curso de Psicologia da Ufes, por sua vez, ocuparam a Praça Costa Pereira, no Centro de Vitória, fazendo exposição das pesquisas e projetos de extensão do curso no Balbúrdia Universitária na Rua: Psicologia, o que tenho  ver?

Três aulas públicas foram realizadas pela parte da manhã: uma no Centro de Ciência Jurídicas e Econômicas da Ufes, outra no campus de Maruípe e outra na pracinha do supermercado Carone, em Jardim da Penha.



Integrantes da Comissão organizadora da Greve Nacional da Educação da Universidade Federal do Espírito Santo (Ufes) contra os cortes na área e as mudanças na Previdência, também fizeram atos na Avenida Fernando Ferrari, em frente ao Campus de Goiabeiras. 

Mostra Balburdia

Entre 13h e 16h desta quarta-feira (15), tem início também a 1ª Mostra Balbúrdia Universitária. O evento, cujo objetivo é dar visibilidade às iniciativas de ensino, pesquisa, extensão e assistência que são realizadas na universidade, é programação anterior à passeata que tomará as ruas da Capital a partir das 16h30. Grupos de manifestantes da Grande Vitória e do interior deixarão o campus de Goiabeiras e a sede do Ifes Vitória, em Jucutuquara. 

“Para que a comunidade interna e externa tenha conhecimento do tipo de 'balburdia' que é feita todos os dias nos campi”, segundo a comissão organizadora da Ufes, a exposição será realizada na passarela coberta da universidade, desde a Pró-Reitoria de Graduação (Prograd) ao Centro Tecnológico.

Foram convocados a expor docentes, técnico-administrativos e estudantes, que coordenam ou participam de algum projeto de ensino, pesquisa, extensão ou assistência, e que possuam livros, revistas, dissertações, teses, artigos, patentes e produtos de inovação tecnológica já publicados ou em desenvolvimento. Haverá, inclusive, emissão de certificado aos participantes.

“As inscrições também poderão ocorrer na hora do evento. Nossa intenção é acolher todos os trabalhos que são desenvolvidos na universidade”, explicam os organizadores em comunicado.

Protesto uinificado 

O ato unificado Ufes/Ifes é a participação capixaba na Greve Nacional da Educação, movimento que ocorre nesta quarta em todo o País contra os cortes nos recursos da Educação pelo governo federal. Desde o anúncio feito pelo ministro da Educação, Abraham Weintraub, no final do mês passado, milhares de estudantes, professores e trabalhadores têm ido às ruas em vários estados. No Espírito Santo, alunos da Ufes e do Ifes fizeram uma passeata no último dia 3 deste mês, concentrando-se em frente ao Palácio Anchieta. 

A justificativa para os cortes, segundo o ministro, seriam “gastos excessivos” das instituições de ensino com eventos e atividades desnecessárias que ele mesmo nomeou como “balbúrdias”. Abraham Weintraub, que inicialmente anunciou um corte de 30%, tem se contradito e anunciado índices menores. Usando chocolates, o ministro afirmou que o “contingenciamento” não passa de "três chocolatinhos e meio num total de 100, ou seja, 3,5%". Mas de acordo com notas oficiais do próprio Ministério da Educação, tudo indica que o ministro tenha errado no exemplo apresentado com chocolates. 

O reitor da Ufes, Reinaldo Centoducante, afirmou que o orçamento perde R$ 20 milhões, valor que já não consta no sistema de receita. Será afetada a área de custeio, como água, energia elétrica e segurança, principalmente, prejudicando funcionamento normal universidade e, inclusive, a segurança do campus, além de serviços de limpeza, manutenção, compra de insumos de laboratório e financiamento de estudantes. Já o Ifes informou que só tem verbas para funcionar até setembro deste ano.

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1 Comentários
  • Juan Carlos Galante , quarta, 15 de maio de 2019

    O magistério deu início à resistência: NÃO a reforma previdenciária, nenhum centavo a menos na educação, 40 HORAS JÁ para o magistério da rede pública estadual do Espírito Santo. Juntos construindo a greve geral.

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