Como editora capixaba foi parar numa cadeia... literária

A Cousa ocupa com outras editoras alternativas antigo presídio de Paraty na maior feira literária do país

Um antigo presídio vai ser transformado num espaço para a literatura em Paraty, que sedia a partir desta semana a 17ª edição da Festa Literária Internacional de Paraty (Flip), um dos mais importantes eventos da área do país. Localizado no Centro Histórico da cidade e com programação paralela ao grande evento, a Cadeira Literária contará com participação de oito editoras, entre elas a capixaba Cousa.

Única das editoras fora do eixo Rio-São Paulo que estará "enclausurada" no local, a Cousa vai levar todo seu catálogo disponível com cerca de 60 títulos, publicados ao longo dos quase 10 anos de existência, além de obras da Edufes - Editora da Ufes. Além disso, os capixabas levarão cafés especiais do Espírito Santo para aquecer o papo na cidade fluminense, servidos pela barista Natielly Nobre. A combinação entre literatura e café tem sido uma tônica importante da Cousa nos últimos anos. Atualmente, a editora está sediada no Trapiche Gamão, espaço que virou ponto de encontro no Centro de Vitória para grupos de leitura e debates sobre literatura e cultura em geral.

Foto: Rafael Perugia

Na programação dentro da Cadeia Literária de Paraty de quarta-feira (10) a domingo (14) , a editora capixaba terá uma programação especial em homenagem a Sérgio Sampaio, com um bate-papo sobre a vida e obra do compositor cachoeirense tendo como convidados João Moraes (ES), Rodrigo Moreira Gomes (RJ) e Manoel Herzog (SP). Também estarão à venda três livros relacionados com Sampaio que foram publicados pela Cousa. Haverá lançamento de livros de Matusalém Dias de Moura, Marco Kbral, Stella Motta e João Moraes, que fará um "pocket-papo-show" sobre sua obra Intelectolices.

"É um grande momento para encontrar leitores, autores. As pessoas ficam surpresas quando descobrem que somos do Espírito Santo. E fazemos muitas trocas com outras editoras, fomentando parcerias. É uma vitrine e tanto para nossa produção", diz o escritor Saulo Ribeiro, coordenador da Cousa.

Ele conta que a editora participou da Flip pela primeira vez no ano passado na Casa do Desejo, que incluiu cerca de 15 editoras alternativas de diversos estados do Brasil. "A gente acabou afinando muito o discurso. Os problemas eram os mesmos tanto para as editoras do eixo como as de fora do eixo", conta Saulo sobre a articulação e participação. 

A boa experiência fez com que a Editora Reformatório, de São Paulo, e o Selo Off Flip, de Paraty, buscassem uma parceria com o Instituto Histórico e Artístico de Paraty (IHAP) para ocupar o prédio construído no século 19 para ser delegacia e cadeia pública. Na nova ocupação, há quatro "celas" e um pátio para o "Banho de Sol". 

Nas primeira cela, haverá programação com uma série de atividades relacionadas com literatura. Na segunda, a feira de livros com as editoras parceiras. A cela 3 terá os livros da Off Flip e a quarta trará artesanato local. No "Banho de Sol", mais atividades culturais e lançamentos de livros.

Além do Selo Off Flip, Editora Reformatório e Editora Cousa, participam da Cadeia Literária a Revista Lavoura (São Paulo), Editora 34 (São Paulo), LetraSelvagem (Taubaté-SP), Editora Feminas (São Paulo) e a Agência de Notícias das Favelas (Rio de Janeiro).

Localizado no Largo de Santa Rita, um dos principais cartões-postais da cidade, o local foi reformado e a Cadeia Literária deve continuar aberta à visitação após a Festa Literária, sediando a livraria do Selo Off Flip, atividades culturais e acervo do IHAP. Mais informações e programação completa estão disponíveis no site da Cadeia Literária.

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