Coletivo busca mulheres que queiram recitar suas próprias poesias

Poetisas têm preferência no Slam Nísia, primeiro campeonato de poesia autoral protagonizado por elas

No ano passado, o Coletivo Nísia criou o primeiro slam feminino do Espírito Santo. Em 2019, realiza a quinta edição do ano nesta sexta-feira (12), a última valendo vaga para o Slam ES, campeonato estadual que reúne os poetas do Estado. E atenção: há vagas! O coletivo busca mais mulheres dispostas a competir no slam, trazendo três poemas autorais a serem recitados na República da Barra, novo espaço na Barra do Jucu, em Vila Velha, a partir das 18h.

Com três anos de atividade buscando o empoderamento feminino sobretudo na Região 5 de Vila Velha, o Coletivo Nísia encontrou no slam, a batalha de poesia falada, sua principal atividade. Embora nem todas meninas escrevam e recitem versos, há várias formas de participação: na organização, tirando fotos para registrar os momentos, sendo apresentadoras (Slam Master). O importante é manter o protagonismo feminino, além do protagonismo das periferias, como acontece na maioria dos slams.


Foto: Divulgação

No Nísia, são três rodadas de poesia, eliminatórias, até chegar-se ao campeão ou campeã. No Nísia, as mulheres têm prioridade mas nem sempre conseguem preencher todas 12 as vagas. "Ainda há poucas meninas que se dispõem a participar", diz Daniela Andolphi, coordenadora do coletivo, que convida mais mulheres a se juntarem. Quando as meninas não completam as vagas disponível, os meninos podem se inscrever e participar juntos.

Não é fácil vencer a timidez e falta de experiência, mas também é possível começar aos poucos. "Se a menina quiser pode participar também de forma não competitiva para testar, trazer uma poesia e recitar, abrimos espaço", diz buscando encorajar as poetisas". É um espaço mais democrático, com muitas mulheres e com homens que sabem que não podem dar mole sendo machista, homofóbicos, que estão ali para apoiar também".

Daniela observa que o movimento do slam feminino tem efeitos na autoestima das meninas moradoras de periferia. "Se enxergam como sujeitos legítimos, podem falar por elas mesmas, não precisam de ninguém". Ela diz que não esquece a fala de uma de suas alunas: "Professora, antes de você começar com essa coisa de coletivo e slam, eu dava muito mole para traficante. Hoje eu dou mole para poeta". Na favela, ser poeta também dá status, diz. Lembra de como o slam trabalha não só a escrita mas a oratório, o corpo, e a necessidade de ler.


Foto: Divulgação

Por ser um slam feminino, Daniela prefere tomar alguns cuidados, como fazer em espaços fechados, embora gratuitos, ou não terminar muito tarde. O Coletivo Nísia, de forma geral, tem buscado falar do empoderamento feminino em espaços da região da Grande Terra Vermelha, dando especial atenção às escolas. "Estamos em região de conflito e às vezes temos que recusar convites porque há toque de recolher". 

Não é fácil ser mulher, menos ainda na periferia. Apesar de tudo, o Slam Nísia mostra que essas mulheres podem sim ter voz. A poesia prevalece.
 

AGENDA CULTURAL

Slam Nísia 

Quando: Sexta-feira (12), 18h

Onde: República da Barra - Rua Vasco Coutinho,  42, Barra do Jucu - Vila Velha/ES.

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