Bordados contam lendas indígenas na exposição Espelhos da Lua

Após imersão na Amazônia, artista plástica Gleciara Ramos expõe 130 tecidos na Galeria Virgínia Tamanini

Foi de um duplo reencontro consigo mesma que surgiu a exposição Espelhos da Lua, de Gleciara Ramos, que estreia nesta quinta-feira (18), às 20h, na Galeria Virgínia Tamanini, no Centro de Vitória. Nascida no Rio de Janeiro, mas criada no Espírito Santo, a artista visual viveu parte da infância na Amazônia, região que voltou a visitar como parte de sua pesquisa artística em busca de diálogo com a cultura indígena da região. O resultado é uma série de 130 bordados, hábito que retomou também para expressar-se artisticamente.

A relação da lua com o feminino, com as lendas indígenas e também com as luzes e sombras - que chama atenção de Gleciara por seu envolvimento com o cinema, por meio do cineclubismo - trouxeram o nome para a exposição, que fica na galera até o dia 30 de agosto, com visitação de 14h às 18h, como parte da pré-programação do Festival de Cinema de Santa Teresa (Fecsta), que acontece em agosto.

"O bordado se tornou uma forma muito interessante, porque ele liberta a intuição para poder entender a cultura amazônica. Ir aos lugares me dava condições de começar a entender. E o lado reflexivo que o bordado também dialoga com a questão do trabalho artesanal de tecer as coisas, tecer a vida", comentou a artista plástica.

São pequenos bordados que não são isolados. Em conjunto, eles tecem histórias que remetem às lendas amazônicas. A exposição dos bordados se darão dentro de duas espécies de malocas também bordadas, lembrando o local de residência dos povos originários. "A última delas ainda está em aberto, dialoga muito comigo mesma e eu ainda não cheguei no ponto de achar que ela deva ser fechada", diz sobre a obra, que sugere bordados inacabados, com linhas e agulhas que permitem quem quiser sentar e dar continuidade. Outros bordados estão expostos em forma de cinco flautas, lembrando o instrumento musical comum entre as comunidades amazônicas.

Gleciara explica que a cultura indígena amazônica não é baseada em filosofia como o ocidente, lembrando a origem etimológica da palavra, que remete a conhecimento entre amigos (do latim, philos + sophia). "O saber amazônico busca muito mais compreender o diferente, o inimigo, para sobreviver", afirma. Aborda ainda o mito das roupas da terra, que considera que tudo tem espírito, por isso, os indígenas buscam vestir as formas corpóreas dos outros seres, dançar e cantar com estas roupas, para dialogar com estes espíritos.

AGENDA CULTURAL

Inauguração da exposição Espelhos da Lua, de Gleciara Ramos

Quando: Quinta-feira, 18 de julho, às 20h

Onde: Galeria Virgínia Tamanini - Rua Comandante Duarte Carneiro, 38 - Centro, Vitória/ES
 

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