Bomba-relógio

Casagrande é imprensado contra a parede pelos militares do Estado. O que vem por aí?

O governador Renato Casagrande começou o quarto mês de gestão imprensado contra a parede pelos militares do Estado. Nos últimos dias, virou quase regra relembrar o trágico movimento de 2017 da Polícia Militar, tanto pela própria categoria como por policiais civis, como ocorreu na sessão desta segunda-feira (8) na Assembleia Legislativa, que contou com presenças e discursos de lideranças sindicais. O aviso é claro: o clima está tenso, portanto, é “melhor o governo não pagar pra ver”, como alertou o presidente do Sindicato dos Delegados, Rodolfo Laterza. Ele fez o discurso mais enfático entre os representantes da PC no plenário da Casa, mas os outros também entornaram o caldo das insatisfações, que se somam às queixas registradas nos bastidores da PM. No resumo geral, os militares exigem diálogo, negociação sobre pautas de reivindicação empacadas há anos, valorização e melhores condições de trabalho. O ex-governador Paulo Hartung, avesso ao diálogo, não correu para colocar panos quentes na situação e respondeu pela pior crise da segurança pública do Estado. Já Casagrande é conhecido por executar outro modus operandi. O que está esperando, então, para desarmar essa bomba-relógio?

Nada em troca
Nas falas dos policiais civis nessa segunda, também foi cobrada a fatura de categoria não ter aderido à paralisação da PMES de 2017, evitando o agravamento do caos. Na época, a PC chegou a aprovar em assembleia a realização do movimento, mas resolveu dar prazo de duas semanas para Hartung sobre as demandas da categoria. 

Aceno 
Na semana passada, depois de carta protocolada diretamente no Palácio Anchieta por representantes das associações da Polícia Militar, o governo Casagrande sinalizou atender o pleito de “reunião urgente”, marcada para esta terça-feira (9). O impasse principal é o projeto de promoções apresentado à Assembleia, que repete a proposta de Hartung rejeitada pela PMES.

Troco
Já em relação à Polícia Civil, o líder do Governo, Enivaldo dos Anjos (PSD), reagiu aos discursos desta segunda, jogando a peteca para outro lado. Político experiente que é, sugeriu “interesses diferentes da defesa da categoria”. Diz o deputado que as lideranças e o governo estavam em conversas, mas agora não os receberá mais em seu gabinete.

‘Farra das contratações’
Não tem aquela denúncia sobre cargos da Secretaria de Trabalho, Assistência e Desenvolvimento Social (Setades), de Bruno Lamas (PSB)? Então, o Sindicato dos Servidores do Estado (Sindipúblicos) protocolou denúncia no Tribunal de Contas e no Ministério Público exigindo obediência aos critérios de manutenção dos servidores comissionados – o número supera cinco vezes o de efetivo na pasta.

‘Farra das contratações’ II
Citando dados do Portal da Transparência, a entidade afirma que a Setades tem 16 efetivos, 23 em designação temporária e 81 comissionados, o que configuraria uma ilegalidade.

Farra das contratações III
Em fevereiro passado, o caso foi alvo de denúncias de próprios servidores da pasta a Casagrande e também no plenário da Assembleia pelo deputado Vandinho Leite (PSDB), que tem reduto eleitoral no mesmo município que Lamas, na Serra. Os cargos atenderiam, segundo os relatos, a interesses político-partidários, ameaçando projetos sociais desenvolvidos pela Setades.

Lista extensa
O secretário de Estado da Saúde, Nésio Fernandes, presta contas da pasta que comanda na próxima sexta-feira (12), às 9 horas, no colegiado sobre a área na Assembleia. O período é referente ao terceiro quadrimestre de 2018, ainda governo Paulo Hartung. Problema não faltou, nem falta. 

Negociação
Por falar em Nésio, ele se reuniu com o Sindipúblicos nesta segunda e se comprometeu a realizar plantões extras com o próprio quadro de funcionários da Sesa – efetivos e temporários - em atendimento a demandas especiais. A proposta foi apresentada para amenizar alguns problemas pontuais e, ao mesmo tempo, garantir melhorias na remuneração dos servidores.

PENSAMENTO:
“Só o mudo inveja o falador”. Khalil Gibran

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2 Comentários
  • Esio Cavalcante , terça, 09 de abril de 2019

    E agora governador, o que fazer para evitar o tsunami!? Não vá brincar e debochar como o ex fez e acabou pagando caro, e olha que só uma polícia parou, imagina as duas juntas, que desgraça será no estado, pode vir Força Nacional, Exército que o caos vai reinar, diálogo sem protelação, olho no olho é um caminho a ser analisado, vamos com sabedoria para que a paz se mantenha, prometeu tem que cumprir.

  • Sergio Vieira , terça, 09 de abril de 2019

    A segurança pública do ES está em colapso, disse o Presidente do Sindicato dos Delegados da PC. Acesse @assembleiaes no Instagram e confira.

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