Bernadette Lyra aborda morte, solidão e velhice em Ulpiana

Novo romance da escritora foi lançado nessa quinta-feira, no Centro de Vitória

Ulpiana começa com a opção de morrer por parte de uma mulher e, a seguir, várias histórias vão se entrelaçando, à medida que a sobrinha tenta decifrar o enigma da morte da tia. O novo romance da escritora e pesquisadora Bernadette Lyra foi lançado nessa quinta-feira (30), no Centro de Vitória.

O título do livro se refere a uma antiga necrópole em ruínas, situada nos Balcãs, na planície do Kosovo. O local misterioso  perpassa toda a narrativa, que se desenrola de forma não linear em torno da vida de várias mulheres, unindo fragmentos de memórias e tramas, que envolvem enganos, desenganos e perdas.

Ulpiana foi escrito porque sempre achei perturbadora a atitude das pessoas diante da morte. Sobretudo, se essa morte se deve a um ato voluntário por parte de alguém. Nesse último caso, os viventes que ficam buscam alguma coisa que atenue o espanto, a dor da perda, a sensação de culpa. E seguem repetindo os pequenos rituais do dia a dia,enquanto têm de enfrentar as lembranças e o fato de que a vida inevitavelmente se acaba, às vezes de forma brusca e inesperada”, explica a autora.

Bernadette revela uma visão sobre a morte, sem julgamentos e sentimentalismos, que são comuns ao tema. E faz isso, de forma poética, com uma prosa leve e sedutora, que vai enredando os leitores ao longo das muitas histórias.

Professora emérita da Universidade Federal do Espírito Santo (Ufes) Bernadette Lyra agora integra também o corpo docente do Programa de Pós-Graduação em Comunicação e Territorialidades (PósCom). Em 2018,  a escritora foi considerada Pesquisadora do Ano pela Sociedade Brasileira de Estudos de Cinema e Audiovisual (Socine) e, neste ano, será a homenageada capixaba do 26º Festival de Cinema de Vitória.

A escritora nasceu em Conceição da Barra, norte do Estado, é conquistou prêmios literários por todo o país. Alguns livros de ficção já publicados são Memória das ruínas de Creta (1997, 2a ed. 2018); Tormentos ocasionais (1998); O parque das feliades (2009); A capitoa (2014) e Água salobra (2017). Como pesquisadora de cinema publicou O jogo dos filmes (2018).

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