Sucessão de 2022 é agora 

O nome do ex-deputado federal Carlos Manato aparece em meio a movimentos de insatisfação de policiais militares

Está enganado quem acredita que ainda é cedo para falar sobre a sucessão do governador Renato Casagrande (PSB) em 2022, com a justificativa de que sua gestão começou há pouco mais de três meses e ele ainda tem quase quatro anos pela frente. Tem-se que levar em conta que a permanência no cenário político depende da habilidade de desenvolver movimentos incessantes. 

Dentro dessa lógica, personagens que almejam sentar-se na cadeira hoje ocupada por Casagrande já começam a se movimentar nos bastidores, em um jogo político que coloca o governador em uma situação desconfortável. Isso porque ele ainda não pode jogar cartadas mais abertas. 

Essa postura se justifica pelo fato de que ele se encontra sedimentando as ações de uma gestão em fase inicial, que depende em muitas áreas dos rumos da política econômica do governo federal. A ausência de objetividade do governo central resulta em descompasso administrativo nos estados. As perspectivas na área federal são incertas, com linhas desconectadas da realidade nacional. 

Dentro desse quadro, o ex-deputado federal Carlos Manato (PSL), atual secretário da Casa Civil do governo federal e segundo colocado na disputa ao governo em 2018, surge nos bastidores como um dos fortes pretendentes ao Palácio Anchieta.

Seu nome é parte de um movimento nacional que visa expandir o partido do presidente Jair Bolsonaro, conforme anunciado no início deste ano. Político habilidoso, seu prestígio junto a policiais militares representa significativa força eleitoral. 

Por essa via, Manato tenta expandir suas ações por todo o Estado, contando ainda com o cargo de presidente do Conselho de Administração do Serviço de Apoio à Pequena e Média Empresa (Sebrae-ES). São tentáculos que não podem ser ignorados, muito mais potentes do que os do prefeito da Serra, Audifax Barcelos (Rede), enfraquecidos com a guerra que ele mantém com a Câmara de Vereadores. 

A categoria de policiais militares aceitou o aceno de Renato Casagrande configurado na anistia administrativa aos acusados de participação na greve geral de 2017, mas a lua de mel durou pouco. Focos de insatisfação aparecem, juntamente com o nome de Manato, relacionados à questão salarial, ausência de diálogo, tratamento diferenciado de forma negativa com a Polícia Civil, entre outros fatores, exatamente aqueles que contribuíram para a desistência à reeleição do ex-governado Paulo Hartung.  

Há de ser considerado que uma das questões mais preocupantes do governo do Estado, como de todo pais, é a Segurança Pública. O setor é essencial para manter o equilíbrio da sociedade e, em consequência, levantar líderes ou deixá-los em maus lençóis, como ocorreu nas eleições de 2018. 

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