Recuo industrial e diversificação

A queda nos indicadores industriais revelada pelo IBGE reforça necessidade urgente de diversificar a economia

Mais uma constatação de que é urgente a adoção de medidas visando à diversificação da economia no Espírito Santo pode ser vista no recuo de 9,7% na produção da indústria capixaba registrado em fevereiro desse ano. Os dados, divulgados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) nesta semana, se comparados com fevereiro de 2018, mostram uma queda de 11,7%.

Como fatores principais para o recuo, as tragédias anunciadas de Mariana e Brumadinho, Minas Gerais, com outro dado agravante: a redução na produção de derivados de petróleo e gás. No entanto, acima de todos esses fatores, tem que ser levada em consideração a tímida diversificação no modelo de desenvolvimento econômico do Espírito Santo, que remonta à década de 50/60 do século passado.

De lá aos dias atuais, pouca coisa mudou, apesar dos avanços da ciência e da tecnologia. Esse cenário se deve à elevada concentração de interesses de grupos econômicos, sempre liderando as políticas públicas a partir de indicadores desarmonizados com os do restante da sociedade. 

Nas últimas décadas, essa dependência de reduzidas matrizes de desenvolvimento, que deveriam ser geradoras de bens sociais, passou a representar um fator extremamente negativo para a sociedade. A Vale, responsável pelos crimes de Marina e Brumadinho, que provocaram tragédias já esperadas, nunca foi alvo de um controle efetivo, demonstrando que as questões das comunidades estão muito abaixo das metas de lucratividade.

É nesse cenário que o governo do Estado anuncia a criação um Fundo Soberano, seguindo modelos bem sucedidos da Noruega e de Singapura, para atuar, entre outros objetivos, na construção de estruturas que permitam diversificar a economia. No papel, possibilitará a necessária abertura ao desenvolvimento de projetos inovadores, com participação de outros setores da sociedade, distantes da concentração de interesses de poderosos grupos econômicos.

Nesta semana, a Assembleia Legislativa criou uma comissão especial para debater o assunto e estabelecer as regras do Fundo Soberano, que vai contar, inicialmente, com recursos da exploração de petróleo e gás natural no Parque das Baleias, que representa uma injeção de R$ 1,7 bilhão nos cofres públicos. As mudanças vislumbradas em vertentes que poderão ser criadas com a iniciativa do  governo abrem um viés indicando investimentos em parceria com a iniciativa privada, a fim de valorizar setores hoje colocados em plano inferior.

Agora resta ver, na prática, como o governo do Estado distribuirá seu crescimento nos próximos anos. Expectativas não faltam.

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