Pobres vulneráveis 

Impedidos de pensar, camadas mais pobres da sociedade aceitam com naturalidade desmandos de quem está no poder

Se não fizer, o Brasil quebra, é o que me diz a atendente bancária, com extrema segurança, ao comentar sobre a reforma da Previdência, em vias de receber a aprovação do Congresso Nacional, abatido em sua independência por milhões de reais distribuídos em emendas parlamentares, combustível precioso para angariar votos nas eleições de 2020 e de 2022. 

Tento argumentar que não é bem desse modo, mas logo desisto. Constato que estou frente a frente a mais um vulnerável, da camada mais pobre, como milhões de brasileiros com as mentes adormecidas, situação que os leva para bem longe do ato de pensar. 

Isso nem é preciso, tudo já vem pronto e acabado, a mídia pensa por eles, com um poder tamanho, que, como Winston Smith, o personagem de George Orwell de 1984, não os deixa exercer a crítica. Alienam-se no que é mostrado por meio de uma enxurrada de imagens, detendo-se, unicamente, na forma, sem dar importância ao conteúdo.  

Deixam-se envolver completamente por mensagens vazias e enganadoras que inundam as redes sociais, seguem com uma devoção canina aqueles que, por eles, são vistos como intocáveis: para estes, a obediência cega. Colocam-se debaixo de falsas verdades e aceitam o sacrifício como um ato patriótico. 

Para os vulneráveis, as alterações na estrutura administrativa do Ministério Público do Estado, legitimando 307 novos cargos comissionados, semana passada, são vistas como coisa tão natural que eles nem se dão conta; da mesma forma, as mudanças na política de pessoal na Assembleia Legislativa, uma abertura a servidores fantasmas, também não conta. 

No cenário nacional, então, os acontecimentos reais passam como se nunca tivessem existido. As verdadeiras faces do ex-juiz Sergio Moro e do procurador-geral da Lava Jato, Deltan Dellagnol, reveladas no site The Intercept e escondidas pela mídia corporativa-familiar, nem lhes passam pela cabeça ou quando surgem, num repete, são apontadas como mentiras da oposição. 

Quando se trata do presidente Jair Bolsonaro, esse pessoal contesta com veemência as críticas aos atos tresloucados exibidos por ele em rede social e muito raramente na imprensa, e até a recessão econômica é passageira, segundo acreditam, resultante de “problemas do passado”.  

Desconhecem as ruas da cidade atulhadas não apenas por pessoas em situação de rua, vitimadas pelo crack, mas, em número cada vez maior, de famílias inteiras em busca do que comer. A fome está presente na vida do brasileiro e não importa a fala do presidente de que ela não existe. 

Para o vulnerável, as coisas estão melhorando e vão continuar assim e, para isso, ele torce para que depois do desastre do Bolsonaro, Luciano Huck ocupe a Presidência da República. O cenário é, de fato, assustador. 

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1 Comentários
  • machado , quarta, 24 de julho de 2019

    Não PeTista! Bolsonaro permanecerá por mais quatros anos na Presidência da República (2023-2026), para seu desespero. Luciano Huck não tem a mínima chance. Por fim, gostaria de lembrar as palavras daquele Senador: " o lula tá preso babaca!"