O Brasil na chapa quente

O apoio de oito dos 10 deputados capixabas à reforma e a indicação do filho 03 a embaixador ampliam o cenário de caos no país

Muito longe do país de 2014, ano em que foi registrada uma taxa de desemprego de 4,6%, a mais baixa da história, os 12,6% de brasileiros desempregados em 2019 sofreram mais um baque nesta quarta-feira (10), com a aprovação do texto-base da reforma da Previdência, com alterações negativas em direitos trabalhistas conquistados por meio de lutas histórias. Abre-se uma perspectiva assustadora para os trabalhadores e a população pobre do país.

Esse caminhar em direção ao caos conta com a cumplicidade, em se tratando do Espírito Santo, de oito dos 10 integrantes da bancada de representantes capixabas na Câmara dos Deputados, que se uniram aos mais de 369 de outros estados e votaram a favor da reforma. Prejudicam pobres e viúvas, mas mantém inalterados privilégios da elite, incluindo a classe política.  

Conduzidos pelo articulador Rodrigo Maia, o presidente do Legislativo responsável pela vitória do governo, com seu poder extremamente ampliado, lançam mais uma mão de cal na política de retrocesso engendrada no golpe de 2016, ampliam desigualdades sociais e tentam legitimar a desastrosa política de Bolsonaro, motivo de escárnio e revolta até mesmo além das fronteiras.

Nesse cenário dantesco, onde carneiros aplaudem lobos sem se importar que são vítimas em potencial, aparece a notícia de que o Eduardo, o filho 03 do presidente, será indicado pelo pai como embaixador do Brasil nos Estados Unidos, por possuir qualificações que o credenciam a ocupar tão importante função.

Em declarações à imprensa, 03 tornou públicas essas qualificações: disse conhecer o país, onde passou um tempo aperfeiçoando o inglês, aprendeu a fritar hamburger e aguentou o frio no Estado do Maine e nas montanhas do Colorado. Para quem a princípio pensou, como eu, que se tratava de mais uma das freqüentes e conhecidas bobagens do 03, enganou-se.

A coisa é séria, se é que pode ser considerada desse modo. O Bolsonaro é mesmo um político surpreendente e gosta de inovar, coisa da “nova política”: elegeu-se na fraude das fake news e com a cumplicidade do então juiz da Lava Jato, Sérgio Moro, hoje seu ministro da Justiça, responsável pela destruição das grandes empreiteiras brasileiras, como a Odebrecht e outras da indústria naval, e desenvolve um governo sem pé nem cabeça, cuja marca é o entreguismo e o desmanche do Estado brasileiro.

Em seis meses de governo, o Brasil passou para os Estados Unidos ativos como a Embraer, parte da Petrobras e a base de lançamento de foguetes de Alcântara, colocando a segurança nacional em risco, além de desativar órgãos de defesa do meio ambiente e gastar bilhões de reais para comprar votos favoráveis à reforma da Previdência, para atender aos interesses do capital financeiro.

Enquanto isso, a recessão econômica avança e o desemprego assume proporções nunca antes vistas, com mais de 13 milhões de desempregados.  No meio do caos, Bolsonaro aparece em redes sociais em companhia do empresário Valdomiro Santiago, aquele do chapéu de cowboy, dono da “Igreja Mundial”, para divulgar o apoio à indicação de 03, especialista em hamburger, a embaixador nos Estados Unidos.

O desgoverno avança a cada dia, com a marca da ameaça miliciana e se chega a um ponto no qual ou o povo dá um jeito, pela via democrática, ou o país vai parar em uma chapa quente muito mais intensa do que na ditadura de 1964, resultando na ausência total do Estado Democrático de Direito.
 

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