INMA – A receita que queimou o fundo da panela

A receita da criação do Instituto Nacional da Mata Atlântica queimou a panela (Museu) e amargou a comida (Instituto)

Forçando a barra para criar o Instituto, uma sociedade de amigos e um movimento recusaram a solução econômica apresentada pelo Governo, impondo um modelo institucional mais caro aos cofres públicos. Para completar, a solução governamental foi rotulada de “extinção do museu criado por Augusto Ruschi” e disseminada para a população e representantes políticos capixabas em pedidos de apoio para recusar a solução proposta pelo governo.

Mas se engana quem acha que foi só jogar tudo na panela e cozinhar. A presepada deu 10 anos de trabalho! 

Ingredientes principais: Incoerências técnicas. Estão evidentes nos registros de reuniões, relatórios técnicos, planejamentos científicos. Um pacote de maldades com as criações de Augusto Ruschi. Por exemplo: inicialmente um documento mostra que se defendia preservar o nome do boletim científico do Museu Mello Leitão. Depois, no meio do caminho, outro documento fala em alterar o nome. E finalmente, em 2017, o planejamento da direção inclui o desmanche do jornal científico – tudo em paralelo a discursos que visam a pesquisa e o bem da ciência…

Já o objetivo mais insistente do INMA é construir instalações na zona rural e remover as coleções e laboratórios do Museu pra lá. Isso foi defendido sem respaldo técnico algum. Tanto que não se concretizou na reunião com os representantes do MCTI que vieram a Santa Teresa. Aliás, aquela foi a única visita que tenho notícias da comissão de transferência, que deveria ter visitado a localidade outras vezes. Mas não, a comissão foi deformada e reinstituída sequencialmente, com várias prorrogações.

Mas o atropelo maior foi depois que o MCTI comunicou sua decisão de unificar a direção geral dos institutos como alternativa para lidar com o alto custo da criação dos Institutos Nacionais de pesquisa no país. Uma solução simples e funcional, em harmonia com a estratégia nacional econômica, assim não precisaria de tantos diretores, apenas responsáveis regionais. Ser nacional era o que queriam, mas sem abrir mão da direção. 

Então, sem abraçar a solução do MCTI para criar o instituto, nomearam essa solução de “Extinção do Museu”, usando o nome que tinham abandonado (Museu Mello Leitão) para apelar ao sentimento de amor do teresense ao Museu, que foi convidado a abraçá-lo, pensando que se tratava de um tudo ou nada. 

Nesta época o Museu estava no limbo, sem identidade, com o patrimônio alienado para o INMA, que tinha sido criado por lei mas não estava aprovado (sem verba), e estava sem diretor e chefes técnico e administrativo. E com a dívida de mais de meio milhão de reais, e os animais sem comida, o teresense se solidarizou ainda mais para abraçar o Museu. Mas sequer sabia que abraçava também o INMA imposto ao governo de forma contrária à solução econômica para aqueles problemas.

A confusão das pessoas, e dos políticos, não foi à toa. Sociedade de “amigos” e Movimento utilizaram suas redes sociais e sites para divulgar textos curtos com grandes contradições. Eles confundiram ao invés de esclarecer. Por exemplo, hora dizendo que o instituto completava 66 anos de idade, tendo sido fundado por Augusto Ruschi, hora que completava 4 anos, hora chamando de Museu, hora chamando de INMA. Uma apelação. Foram ditas coisas como “para que o pior não aconteça…”. Nem o desastre de Mariana escapou: “quantos desastres mais terão que ocorrer para que o MCTIC possa concluir o processo de regularização do Inma?” 

Para completar, falam em nome de Augusto Ruschi, alternando entre a suavização de um discurso que desmancha sua própria obra e curiosidades sobre sua vida. Colocam-se como curadores de sua memória. Uma tentativa de acobertar a imoralidade a partir da moralidade ignóbil que praticam.

Nas redes também corriam as cartas enviadas aos políticos capixabas, especialmente em Brasília, para que pleiteassem a criação do Inma, (não aquele que o Governo tinha condições de pagar). As cartas pediam dinheiro para construir os prédios fora do Museu e também pediam urgência em escolher o diretor. Algumas universidades federais aderiram à causa, assinando embaixo desses requisitos em uma carta aos políticos, o que mostra a grande propagação da desinformação sobre o atropelo institucional.

E a panela queimada continua lá, espalhando seu gosto em tudo que cai dentro. Já no começo de 2019 questionaram a inteligência e a honestidade de um Secretário do Ministério da Agricultura e Pesca. Também foram à Assembleia Legislativa do ES, onde pediram dinheiro para a insistente meta de remover as coleções. Difamaram publicamente a minha pessoa. E recentemente gravaram um vídeo em que repetem “Museu Mello Leitão” quase 100 vezes, e nenhuma vez falam “Instituto Nacional da Mata Atlântica”. Quase lavou meu cérebro. O pé de INMA que plantaram onde cortaram o pé de Museu só tá dando INMAs. Nenhum museuzinho sequer, não é enxerto não.


 

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