Honraria pra dar e vender

Passa semana, entra semana, e a Assembleia continua a provocar gastos desnecessários com homenagens

Apesar da renovação de 50% registrada nas eleições de outubro de 2018, passa semana, entra semana, e a Assembleia Legislativa mantém o mesmo comportamento em relação aos gastos supérfluos, muito distante da chamada nova política, alardeada aos quatro cantos, que de novo tem pouco a apresentar.

Recentemente, a Mesa Diretora reagiu às críticas da imprensa sobre o excesso de homenagens com o anúncio da criação de uma comissão temporária para reavaliar as honrarias e comendas existentes na Casa. Mas, pelo visto, ficou só na teoria mesmo. O ritmo continua intenso, envolvendo diferentes áreas e deputados.

Em 2018, ano de eleição, com uma frequência absurda as portas do Plenário do Legislativo foram abertas para inúmeras homenagens prestadas a líderes religiosos, presidentes de associações e outras instituições. Celebrou-se o Dia do Pastor, Dia da Secretária e uma infinidade de datas, amealhando para os autores dos eventos valiosos frutos eleitorais, com dinheiro público, vale ressaltar. 

A composição do plenário mudou, não tem disputa, mas as homenagens deste ano seguem na mesma "pegada". Por essas e outras, vem em boa hora o projeto do deputado estadual Sergio Majeski (PSB) visando reduzir os gastos da Assembleia com a concessão de honrarias. Os parlamentares aprovaram indicação para que a Mesa Diretora limite o número de comendas e títulos concedidos anualmente pelos 30 deputados, com ressarcimento aos cofres públicos dos valores gastos com os excedentes. Precisa, no entanto, ser logo executado.

A sede de fazer gracejos é tanta, que a Casa protagonizou, também há pouco tempo, embates sobre as concessões de título de Cidadã Espírito-Santense. Destinado, em tese, a pessoas que prestaram relevantes serviços à sociedade capixaba, as escolhas passaram longe disso. Apareceu na lista desde a mulher do presidente Jair Bolsonaro, Michele, como o próprio Bolsonaro, o ex-juiz da Lava Jato e ministro da Justiça, Sergio Moro, envolvido no escândalo do "vaza-jato", e o ex-deputado federal Jean Willys e o líder do Movimento dos Sem Terra (MST), João Pedro Stédile, só para citar os mais famosos. 

Nessa brincadeira, no passado foram gastos R$ 145 mil para garantir a entrega de mais de 500 placas e medalhas em atos que em nada contribuíram para melhorar a qualidade de vida do cidadão.

A Assembleia já demorou a dar um basta nessa gastança com dinheiro público, que embora justificada sempre com belos discursos de valorização dos setores da sociedade, serve, na verdade, para defender interesses políticos-ideológicos, de olho em territórios eleitorais e votos.

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